UNIDADE DOS TRABALHADORES E ESTUDANTES BARRA EBSERH NA UFRJ

Nada foi definido e a mobilização tem que continuar

EBSERH

Francisco de Assis, coordenador- geral do Sintufrj, resgatou a luta para a conquista do debate na comunidade. “Se aconteceu, foi mérito das entidades Sintufrj, Adufrj e DCE”, frisou. Ele apontou que ficará na história o registro daqueles que votariam em defesa da universidade pública e pela autonomia, que reconhecem que os trabalhadores têm competência para gerir a universidade. Mas também aqueles que foram ao Consuni votar a favor da Ebserh. “Se um minoria, que tem direito ao voto, resolver manifestar-se contrária à vontade da comunidade universitária, teremos, sim, problemas. A história vai mostrar quem defende a universidade”, sinalizou. Janine Teixeira, coordenadora da Fasubra, afirmou que aquele era o ato mais importante contra a Ebserh: “Sou da Universidade Nada foi definido e a mobilização tem que continuar A direção do Sintufrj defende a abertura imediata, pela Reitoria, do processo eleitoral para escolha de uma nova direção para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF).

 

Este também é o desejo da maioria dos trabalhadores da unidade, que esperam poder o mais rápido possível iniciar uma nova era de trabalho e de vida no hospital. Federal do Espírito Santo, onde o reitor assinou com a Ebserh sem passar pelo Conselho Universitário e todos os trabalhadores foram colocados à disposição de outros órgãos”.

 

E, voltando-se para Carlos Levi, acrescentou: “Você não precisa fazer o serviço sujo do Ministério da Educação. Não se submeta a isso. O que se decidir hoje, aqui, vai se refletir em todo o país. Não seja capacho do Mercadante” (Aloizio).

 

Recuo sensato, mas foi sob pressão A resistência da comunidade universitária, expressa em palavras de ordem de protesto das centenas de pessoas presentes ao auditório do CT, levou Carlos Levi a tentar adiar a sessão com o pedido de vistas, por parte do vice-reitor Antônio Ledo, dos relatórios a serem apreciados pelos conselheiros. Mas a manobra foi denunciada e desmontada pelos conselheiros, e o público reagiu

bem alto: “Golpista”.

 

“Eu gostaria de ouvir do reitor se esse encaminhamento é para que haja algum tipo de proposição da Reitoria. Gostaria de ouvir publicamente da Reitoria se há possibilidade de construir uma proposta autônoma, independente da Ebserh”, disse a representante do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE), Maria Malta.

 

“O encaminhamento que vinha procurando apresentar tinha em mente exatamente garantir que pudéssemos evoluir para uma proposta que unificasse, ampliasse a base de nossa universidade. É nesse sentido que estaria solicitando a suspensão deste momento para buscar o entendimento”, respondeu Carlos Levi. Segundo o reitor, era do interesse da universidade buscar uma proposta que pudesse envolver de “maneira mais ampla as expectativas e interesses do conjunto da universidade”, garantindo discussão ampla que envolvesse outros parceiros para que de fato se pudesse “construir um modelo que atendesse às necessidades atuais graves de nossos hospitais”.

 

Plebiscito – “É louvável essa manifestação da Reitoria. Mas há necessidade de uma decisão mais democrática”, disse a estudante Juliana Caetano, propondo a realização de um plebiscito sobre a Ebserh.

 

PR-4 apresenta proposta

 

O pró-reitor de Pessoal, Roberto Gambine, chamou a atenção para o fato de que, pela primeira vez, o reitor se manifestava com uma proposta diferente. “Isso é uma vitória, resultado direto da discussão na comunidade. E não podemos sair daqui transformando o que a gente conquistou em derrota”, afirmou, e propôs a construção de uma “travessia” para outra posição.

 

Gambine surpreendeu o Consuni ao apresentar uma proposta “diferente” para os hospitais universitários da UFRJ, elaborada por ele e quatro integrantes de sua equipe na PR-4, que inclui medidas para contornar problemas de dimensionamento de pessoal no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. A proposta foi a voto eacolhida pelo Colegiado.

 

Então, mais uma vez, sob o argumento de que a proposta trazia uma nova conjuntura, o reitor tentou pedir vistas dos relatórios. “Não vamos numa linha que vai tencionar o trabalho coletivo que estamos fazendo nesta sessão”, ponderou o conselheiro Roberto Leher. “Temos que ter algumas proposições que criem um ambiente favorável à construção.

 

A primeira delas, que estamos colocando em suspenso de forma profunda, é o modelo da Ebserh”, disse sob aplausos. Carlos Levi concordou que estava se construindo uma oportunidade que convergisse para os “interesses de grande parte da universidade”. E a sessão continuou. Reitor encerra sessão no tempo regulamentar Ao fim do tempo regulamentar, às 13h, foi posta em votação a proposta de prorrogação, e por apenas três votos de diferença o Consuni foi encerrado. Mas o reitor, antes de suspender a sessão, diante das mais de mil pessoas e dos conselheiros, comprometeu-se, ao afirmar: “Vamos nos reunir com representaçõesenvolvidas e buscar traçar uma solução realista, responsável. Todos nós temos o compromisso de garantir, e poder traduzir, um sentimento maior da universidade em relação à sustentação de nossos hospitais”.

 

Proposta detalhada

 

Entre os itens da proposta da PR-4 está a homologação do nome de todos os aprovados nos concursos do edital de abril: médicos e enfermeiros, para que a UFRJ possa chamar pelo RJU no período de dois anos quantos profissionais desejar; o lançamento de um edital de seleção simplificada, nos moldesda Lei 8.745 de 1993 (professores substitutos), para iniciar o processo de substituição dos profissionais extraquadro. “Se o governo não liberar as vagas, que assim responda aos órgãos de controle, mas a UFRJ mostra que tem alternativa”, disse Roberto Gambine. Faz parte ainda da proposta fortalecer o grupo de trabalho instituído pelo reitor sob direção da pró-reitora de Governança, Aracéli de Souza, incorporando questões de pessoal com a participação da Pró-Reitoria, para enfrentar os problemas relativos a dimensionamento e alocação de pessoal. Gambine sugeriu que fosse mantida a comissão instituída pelo Consuni para acompanhamento da situação dos hospitais. Essa comissão também acompanharia as ações da proposta.