UNIDADE DOS TRABALHADORES E ESTUDANTES BARRA EBSERH NA UFRJ

Sob pressão, reitor recua e propõe entendimento

Com mobilização histórica da comunidade universitária, liderada pelas entidades sindicais Sintufrj e Adufrj, pelo Diretório Central dos Estudantes Mário Prata e pela Associação dos Pós-Graduandos, técnicos-administrativos, estudantes e professores lotaram o auditório do Centro de Tecnologia para a sessão do Conselho Universitário (Consuni), na quinta-feira, dia 26 de setembro, que deliberaria sobre a adesão da UFRJ à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O que acabou não ocorrendo e o movimento festejou como mais uma vitória contra as forças privativistas da saúde e da educação que afloraram na universidade.

 

A sessão foi encerrada às 13h, com o reitor se comprometendo a encaminhar para a discussão proposta que envolva, “de maneira ampla, expectativas e interesses do conjunto da universidade”.

 

Na pauta da sessão iniciada às 10h constava a análise dos pareceres das comissões permanentes do colegiado sobre as propostas de modelo de gestão para os hospitais universitários: a do reitor, de contratação da Ebserh; a dos movimentos, de recusa da Ebserh e fortalecimento do Complexo Hospitalar; e a da Fasubra, de um regimento geral para os HUs. Todo mundo lá!

 

Durante toda a sessão, grupos de estudantes e de trabalhadores chegavam ao auditório do CT com bandeiras e entoando palavras de ordem. Vários desses manifestantes portavam também instrumentos musicais, como bumbos. Mas não faltaram apitos para pontuar as falas dos conselheiros e de representantes de entidades sindicais e estudantis. O DCE alugou cinco ônibus para levar à Cidade Universitária alunos da UFRJ da Praia Vermelha e do IFCS. A mobilização das entidades surtiu efeito, inclusive para fora dos muros da UFRJ.

 

Estavam presentes ao Consuni representantes da Fasubra, Andes e de vários sindicatos de técnicos-administrativos em educação das universidades federais da UFF, UniRio, Juiz de Fora e Minas Gerais. Os bravos companheiros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra também honraram a categoria com Sob pressão, reitor recua e propõe entendimento sua solidariedade, disposição de luta e suas bandeiras vermelhas. Também apoiaram com palavras fortes em defesa do SUS representantes da maioria das entidades de trabalhadores na área de saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, entre outros.

 

Segurança – Na abertura da sessão, o conselheiro representante dos professores titulares do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH), Roberto Leher, denunciou a existência de seguranças armados a poucos metros do local de realização do Consuni (que prometia ser acalorado), e exigiu que o reitor ordenasse que se afastassem. Mais adiante, o reitor respondeu que tinha certeza de que os responsáveis pela segurança do campus estariam atentos para que essa providência fosse tomada.

 

A estudante Julia Bustamante denunciou o aparato de segurança montado pela Reitoria dentro do auditório: “Sou conselheira eleita e fui impedida de ter acesso ao espaço reservado aos membros do colegiado por um segurança que exigiu que eu provasse que era conselheira, pois não acreditou na minha palavra. Precisou alguém confirmar que eu era conselheira”.

 

Aposta no escuro – “A leitura de todos os relatórios técnicos (dos grupos definidos pelo Consuni para estudar as propostas) e dos relatórios das comissões não deixou dúvidas: a Ebserh é uma aposta no escuro: tem uma série de evidências de que pode não dar certo e que afetaria, na base, toda concepção de saúde pública e de autonomia universitária”, disse o decano do CFCH,

 

Marcelo Correia e Castro. Ebserh, falcatrua – A representante técnico-administrativa Mônica Maluhy deu duas informações importantes: a primeira, que a auditoria do Ministério Público constatou que a Ebserh não honrou o contrato firmado com o SUS do Piauí; a segunda, que a empresa recebeu R$ 10 milhões do SUS para repassar ao Hospital

 

Universitário do Piauí, mas repassou apenas 1,64% desse valor. Ela citou matéria do site G1 sobre manifestação de trabalhadores do Hospital das Clínicas de Vitória que após aderir à Ebserh teve 100 servidores afastados. “É para essa empresa que queremos entregar nossos hospitais?”, perguntou a conselheira, recebendo um “Não!” de resposta do público que lotava o auditório.

 

“Não é possível o capital entrar e tomar conta das políticas sociais dos hospitais universitários. O capital não é bobo e quer se apoderar dessa riqueza de conhecimento”, disse a presidente do Andes-SN, Marinalva Oliveira. Cai a máscara na UnB – Camila Damasceno, estudante do 12º período de Medicina da Universidade Nacional de Brasília, fez um depoimento emocionante. Ela contou que votou pela contratação da Ebserh no Conselho Universitário, em 2011, porque todos foram convencidos de que era a única alternativa para o HU, e o contrato foi assinado com todas as garantias. “Mas todas as nossas reivindicações foram descumpridas.

 

A empresa impôs metas de produtividade incompatíveis com uma instituição pública de ensino e assistência de qualidade. Como, por exemplo, consulta de 13 minutos no ambulatório. Não cometam o mesmo erro que eu”, aconselhou.

EBSERH