Editorial  Uma trajetória de mais de 30 anos Algumas de muitos capas do Jornal do Sintufrj Representação por local de trabalho já fez história A Velha Universidade Nova Algumas imagens de luta da categoria André Amaral, ilustrador do Jornal do Sintufrj Video publicado na Internet e Uma Hitória de Luta: edição Luís Fernando Couto Direto da UFRJ Notícias on-line Datas histórias - fonte: NPC Volta para 1ª página
 
 

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CUT - Concepções diferentes

Dirigentes da CUT explicam apoio ao candidato Lula, a quem vão apresentar reivindicações


PLENÁRIO. Sindicalistas de várias entidades foram à Universidade Rural para o debate


SPIS. Ele defendeu como “legítimo” a utilização do Fat

Os argumentos apresentados pelos debatedores – independentemente das posições defendidas – foram além das críticas pontuais e revelaram diferentes concepções de tática (o caminho mais adequado para que os trabalhadores se coloquem na luta política), de estratégia (a perspectiva do socialismo) e da realidade da correlação de forças entre capital e trabalho hoje no Brasil de Lula. Trata-se de questões fundamentais que hoje dividem as forças interessadas na transformação radical da sociedade brasileira em busca de um país mais justo.
Embora o debate tenha sido dividido em três mesas temáticas (Conjuntura e Estado Brasileiro; Rumos do Movimento Sindical; As Relações com a CUT) com debatedores diferentes, os debates foram recorrentes: governo Lula e análise da conjuntura, balanço histórico da CUT e do movimento sindical, a organização da luta dos trabalhadores. Lúcia Reis, dirigente da CUT, foi a primeira a se pronunciar numa mesa em que se confrontou-se com o professor Luiz Fernando. Lúcia exibiu números para dimensionar a representatividade da Central. Informou que a CUT abriga cerca de 3500 sindicatos, que representam 7 milhões de trabalhadores filiados. Os sindicatos cutistas atuam numa base de 22 milhões de trabalhadores.
Lúcia Reis disse que, em relação aos sindicatos que deixaram a CUT, o número de novas filiações aumentou no período de 2003 a 2006. A dirigente sistematizou alguns pontos que caracterizam a atuação da Central: fortalecer a unidade da classe trabalhadora; não abrir mão da negociação e aprofundar a democracia; independência de governos e partidos. Lúcia informou, neste ponto, que a CUT formalizou o seu apoio à reeleição de Lula, embora mantenha críticas objetivas sobre vários aspectos da política econômica do governo.
Lúcia disse que a CUT também reconhece pontos positivos no governo. Cita, como exemplo, a política externa do governo, que propõe a integração com os países da América Latina. Lembra, ainda, que o desmonte do Estado e as privatizações foram freados. Na opinião de Lúcia, no campo da disputa no interior do movimento, há a tentativa de desqualificar o governo Lula e a CUT. “Inventa-se muita coisa contra a CUT como, por exemplo, a de que apoiamos o Super Simples” – trata-se de projeto do governo voltado para as pequenas e microempresas que flexibiliza direitos trabalhistas. “A CUT não apóia o Super Simples”, insiste.

Com o candidato Lula
Lúcia e Antônio Carlos Spis, também dirigente da Central, informaram que a CUT vai apresentar ao candidato Lula sua plataforma, disputar junto ao governo suas propostas sobre juros, superávit, democratização do orçamento. A CUT quer apresentar suas reivindicações e mobilizar os trabalhadores em torno delas. Spis também defendeu como legítima a utilização pela CUT das verbas do Fat (Fundo de Apoio dos Trabalhadores). “A CUT deve disputar verbas públicas, é uma das entidades mais fiscalizadas do País.”
Ele disse, ainda, que não tem nada contra o patrocínio de empresas como a Petrobras e outras em eventos da CUT, uma vez que isso viabiliza maior visibilidade à Central. Citou, como exemplo, o programa de tevê produzido pelo setor de Comunicação da Central. “Temos que ficar atentos à utilização dos novos meios, como a internet. Vivemos numa sociedade de imagens, aos novos meios, para amplificar a nossa voz”. Spis destacou a necessidade de se construir a unidade das forças de esquerda diante de “uma direita que nos trata como raça e nos quer empurrar para a senzala”. Entre as ações políticas da Central, Spis citou o lançamento da Campanha Nacional Unificada.

O valor da democracia



O coordenador da Fasubra, Celso Carvalho, disse que um dos grandes desa-fios políticos é construir um movimento sindical democrático. E entender a democracia burguesa como um espaço importante para o avanço da luta de classes. Para enfatizar o papel da democracia, Celso Carvalho citou as experiências de governos do PT no Rio Grande do Sul e na prefeitura de Porto Alegre que permitiu, por exemplo, a consolidação do orçamento participativo. “Avançou tanto que a pauta começou a envolver até a discussão sobre o salário do funcionalismo.”
Numa análise, Celso lembrou a ausência de democracia no curso da história e as conseqüências para organização dos trabalhadores. “Por isso a importância de aproveitarmos os espaços democráticos”. Celso Carvalho defendeu o respeito às diferenças e a necessidade do debate aberto para decidirmos o melhor caminho para a esquerda. Ele identifica na CUT um espaço importante de disputa em busca de alternativas conseqüentes para o movimento, numa atitude que não empurre os trabalhadores para o isolamento no movimento social.

Luta de classe é essencial

Zé Maria: “Quando o governo começa a pagar, o governo começa a mandar”



 

JOSÉ MARIA: à frente do Conlutas JORGE. Sindicatos burocratizados LUIZ ANTÔNIO. Prejuízo na luta

Um dos coordenadores da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) – organização nacional que pretende estruturar e influir na luta dos trabalhadores –, José Maria de Almeida, foi direto ao ponto em suas críticas, associando a questão partidária à luta sindical. Ele disse que não tem consistência o argumento dos que dizem que não votar em Lula seria facilitar o retorno da direita ao poder. “Mas a direita está no Banco Central. Os juros da dívida, a reforma da Previdência, a política agrária no governo Lula são políticas da direita”, disse. José Maria dedicou parte do seu tempo no debate para defender a Conlutas. Segundo ele, a nova organização surge com a tarefa de recuperar os princípios de luta da classe trabalhadora, que é essencial. José Maria, que também é dirigente do PSTU, foi fundador da CUT.

Independência
O princípio de independência, diz o dirigente, é outra tarefa da Conlutas. “Resgatar o principio de independência de classe não é pouca coisa”, diz ele. “A CUT começou a morrer quando começou a receber dinheiro do governo, quando começou a depender de uma assinatura do ministro do Trabalho para liberar alguns milhões por ano”, acusa. “Quando o governo começa a pagar, o governo começa a mandar. Aí acaba a independência. A Conlutas não depende nem politicamente nem financeiramente de nenhum empresário, nenhum Estado, nenhum governo, porque quando as organizações passam a depender, deixam de ser controladas por nós e passam a ser controladas por aqueles que as financiam. Então a questão da independência não é uma questão menor”, afirma José Maria. Outro aspecto destacado pelo sindicalista é a necessidade de uma direção que seja democrática e controlada pela base.
A Conlutas, informa o dirigente, foi transformada numa central sindical e popular, agora, no congresso em maio. Podem fazer parte da organização trabalhadores que estão nos sindicatos, trabalhadores que estão na informalidade, integrantes dos movimentos dos sem-teto, sem-terra e dos que lutam contra a discriminação.

A crítica tem que ser radical

O professor da UnB Luiz Fernando tem uma posição radical contra a CUT e contra o governo Lula. “A crítica tem quer ser radical, para transformar”, diz. Segundo ele, a lógica neoliberal que orienta o governo do PT acabou influenciando a postura da CUT, que se transformou num braço do governo. Luiz Fernando identifica como questão de fundo o problema ideológico. “A CUT coloca sua luta nos marcos da constituição burguesa, e isso não tem nada a ver com socialismo.” Segundo o professor, a conjuntura é de derrota do trabalho para o capital. Ele acusa o governo Lula de fazer aliança com os que se apropriaram do Estado. Para Luiz Fernando, a atitude do governo se reflete na postura da CUT, que foi domesticada e se transformou em força auxiliar do governo. “Isso ficou evidente no episódio da reforma da Previdência, onde a CUT teve uma atitude inaceitável.”
Luiz Fernando afirma que a CUT sucumbiu ao governo. E o governo sucumbiu ao ideário da classe dominante, “aderiu à estrutura do capital”. Luiz Fernando diz que a mudança de característica do PT vem de longe. “No início de 1990, José Dirceu já afirmava que um dos problemas do partido era o cadáver insepulto do socialismo, abandonando as teses de esquerda”. Segundo o professor, a CUT reproduz a lógica do capital, esquece o marco de classe. A emancipação do trabalho sobre o capital é a atitude socialista”. E encerra, indagando: “O que estamos fazendo na CUT?

Duas visões críticas

Jorge Luiz Martins, da Intersindical, abriu sua bateria de críticas a setores do movimento sindical. Fundador da CUT, Jorge disse que os sindicatos estão burocratizados, o aparelhismo da articulação contaminou a CUT, impedindo espaço para o pluralismo, e a formação socialista entre os militantes é reduzida. “Em alguns casos”, disse, “as entidades se transformaram em antros de pequenos bandidos.” De acordo com ele, um dos responsáveis pela “destruição da CUT” é o governo Lula.
O coordenador da Fasubra, Luiz Antônio Araújo, destacou a indiferença da CUT em relação ao movimento do funcionalismo público no geral e dos técnicos-administrativos em particular. Segundo Luiz Antônio, a relação da CUT com o governo prejudica diretamente o movimento do funcionalismo. “O que se viu na reforma da Previdência é um fato que não deixa dúvidas de que lado a Central está.”


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