CUT
-
Concepções
diferentes
Dirigentes
da
CUT
explicam
apoio
ao
candidato
Lula,
a
quem
vão
apresentar
reivindicações

PLENÁRIO. Sindicalistas de várias entidades foram à Universidade Rural para o debate

SPIS. Ele defendeu como “legítimo” a utilização do Fat
Os
argumentos
apresentados
pelos
debatedores
–
independentemente
das
posições
defendidas
–
foram
além
das
críticas
pontuais
e
revelaram
diferentes
concepções
de
tática
(o
caminho
mais
adequado
para
que
os
trabalhadores
se
coloquem
na
luta
política),
de
estratégia
(a
perspectiva
do
socialismo)
e da
realidade
da
correlação
de
forças
entre
capital
e
trabalho
hoje
no
Brasil
de
Lula.
Trata-se
de
questões
fundamentais
que
hoje
dividem
as
forças
interessadas
na
transformação
radical
da
sociedade
brasileira
em
busca
de
um
país
mais
justo.
Embora
o
debate
tenha
sido
dividido
em
três
mesas
temáticas
(Conjuntura
e
Estado
Brasileiro;
Rumos
do
Movimento
Sindical;
As
Relações
com
a
CUT)
com
debatedores
diferentes,
os
debates
foram
recorrentes:
governo
Lula
e
análise
da
conjuntura,
balanço
histórico
da
CUT
e do
movimento
sindical,
a
organização
da
luta
dos
trabalhadores.
Lúcia
Reis,
dirigente
da
CUT,
foi
a
primeira
a se
pronunciar
numa
mesa
em
que
se
confrontou-se
com
o
professor
Luiz
Fernando.
Lúcia
exibiu
números
para
dimensionar
a
representatividade
da
Central.
Informou
que
a
CUT
abriga
cerca
de
3500
sindicatos,
que
representam
7
milhões
de
trabalhadores
filiados.
Os
sindicatos
cutistas
atuam
numa
base
de
22
milhões
de
trabalhadores.
Lúcia
Reis
disse
que,
em
relação
aos
sindicatos
que
deixaram
a
CUT,
o
número
de
novas
filiações
aumentou
no
período
de
2003
a
2006.
A
dirigente
sistematizou
alguns
pontos
que
caracterizam
a
atuação
da
Central:
fortalecer
a
unidade
da
classe
trabalhadora;
não
abrir
mão
da
negociação
e
aprofundar
a
democracia;
independência
de
governos
e
partidos.
Lúcia
informou,
neste
ponto,
que
a
CUT
formalizou
o
seu
apoio
à
reeleição
de
Lula,
embora
mantenha
críticas
objetivas
sobre
vários
aspectos
da
política
econômica
do
governo.
Lúcia
disse
que
a
CUT
também
reconhece
pontos
positivos
no
governo.
Cita,
como
exemplo,
a
política
externa
do
governo,
que
propõe
a
integração
com
os
países
da
América
Latina.
Lembra,
ainda,
que
o
desmonte
do
Estado
e as
privatizações
foram
freados.
Na
opinião
de
Lúcia,
no
campo
da
disputa
no
interior
do
movimento,
há a
tentativa
de
desqualificar
o
governo
Lula
e a
CUT.
“Inventa-se
muita
coisa
contra
a
CUT
como,
por
exemplo,
a de
que
apoiamos
o
Super
Simples”
–
trata-se
de
projeto
do
governo
voltado
para
as
pequenas
e
microempresas
que
flexibiliza
direitos
trabalhistas.
“A
CUT
não
apóia
o
Super
Simples”,
insiste.
Com
o
candidato
Lula
Lúcia
e
Antônio
Carlos
Spis,
também
dirigente
da
Central,
informaram
que
a
CUT
vai
apresentar
ao
candidato
Lula
sua
plataforma,
disputar
junto
ao
governo
suas
propostas
sobre
juros,
superávit,
democratização
do
orçamento.
A
CUT
quer
apresentar
suas
reivindicações
e
mobilizar
os
trabalhadores
em
torno
delas.
Spis
também
defendeu
como
legítima
a
utilização
pela
CUT
das
verbas
do
Fat
(Fundo
de
Apoio
dos
Trabalhadores).
“A
CUT
deve
disputar
verbas
públicas,
é
uma
das
entidades
mais
fiscalizadas
do
País.”
Ele
disse,
ainda,
que
não
tem
nada
contra
o
patrocínio
de
empresas
como
a
Petrobras
e
outras
em
eventos
da
CUT,
uma
vez
que
isso
viabiliza
maior
visibilidade
à
Central.
Citou,
como
exemplo,
o
programa
de
tevê
produzido
pelo
setor
de
Comunicação
da
Central.
“Temos
que
ficar
atentos
à
utilização
dos
novos
meios,
como
a
internet.
Vivemos
numa
sociedade
de
imagens,
aos
novos
meios,
para
amplificar
a
nossa
voz”.
Spis
destacou
a
necessidade
de
se
construir
a
unidade
das
forças
de
esquerda
diante
de
“uma
direita
que
nos
trata
como
raça
e
nos
quer
empurrar
para
a
senzala”.
Entre
as
ações
políticas
da
Central,
Spis
citou
o
lançamento
da
Campanha
Nacional
Unificada.
O
valor
da
democracia

O
coordenador
da
Fasubra,
Celso
Carvalho,
disse
que
um
dos
grandes
desa-fios
políticos
é
construir
um
movimento
sindical
democrático.
E
entender
a
democracia
burguesa
como
um
espaço
importante
para
o
avanço
da
luta
de
classes.
Para
enfatizar
o
papel
da
democracia,
Celso
Carvalho
citou
as
experiências
de
governos
do
PT
no
Rio
Grande
do
Sul
e na
prefeitura
de
Porto
Alegre
que
permitiu,
por
exemplo,
a
consolidação
do
orçamento
participativo.
“Avançou
tanto
que
a
pauta
começou
a
envolver
até
a
discussão
sobre
o
salário
do
funcionalismo.”
Numa
análise,
Celso
lembrou
a
ausência
de
democracia
no
curso
da
história
e as
conseqüências
para
organização
dos
trabalhadores.
“Por
isso
a
importância
de
aproveitarmos
os
espaços
democráticos”.
Celso
Carvalho
defendeu
o
respeito
às
diferenças
e a
necessidade
do
debate
aberto
para
decidirmos
o
melhor
caminho
para
a
esquerda.
Ele
identifica
na
CUT
um
espaço
importante
de
disputa
em
busca
de
alternativas
conseqüentes
para
o
movimento,
numa
atitude
que
não
empurre
os
trabalhadores
para
o
isolamento
no movimento
social.
Luta
de
classe
é
essencial
Zé
Maria:
“Quando
o
governo
começa
a
pagar,
o
governo
começa
a
mandar”

JOSÉ
MARIA:
à
frente
do
Conlutas
JORGE.
Sindicatos
burocratizados
LUIZ
ANTÔNIO.
Prejuízo
na
luta
Um
dos
coordenadores
da
Conlutas
(Coordenação
Nacional
de
Lutas)
–
organização
nacional
que
pretende
estruturar
e
influir
na
luta
dos
trabalhadores
–,
José
Maria
de
Almeida,
foi
direto
ao
ponto
em
suas
críticas,
associando
a
questão
partidária
à
luta
sindical.
Ele
disse
que
não
tem
consistência
o
argumento
dos
que
dizem
que
não
votar
em
Lula
seria
facilitar
o
retorno
da
direita
ao
poder.
“Mas
a
direita
está
no
Banco
Central.
Os
juros
da
dívida,
a
reforma
da
Previdência,
a
política
agrária
no
governo
Lula
são
políticas
da
direita”,
disse.
José
Maria
dedicou
parte
do
seu
tempo
no
debate
para
defender
a
Conlutas.
Segundo
ele,
a
nova
organização
surge
com
a
tarefa
de
recuperar
os
princípios
de
luta
da
classe
trabalhadora,
que
é
essencial.
José
Maria,
que
também
é
dirigente
do
PSTU,
foi
fundador
da
CUT.
Independência
O
princípio
de
independência,
diz
o
dirigente,
é
outra
tarefa
da
Conlutas.
“Resgatar
o
principio
de
independência
de
classe
não
é
pouca
coisa”,
diz
ele.
“A
CUT
começou
a
morrer
quando
começou
a
receber
dinheiro
do
governo,
quando
começou
a
depender
de
uma
assinatura
do
ministro
do
Trabalho
para
liberar
alguns
milhões
por
ano”,
acusa.
“Quando
o
governo
começa
a
pagar,
o
governo
começa
a
mandar.
Aí
acaba
a
independência.
A
Conlutas
não
depende
nem
politicamente
nem
financeiramente
de
nenhum
empresário,
nenhum
Estado,
nenhum
governo,
porque
quando
as
organizações
passam
a
depender,
deixam
de
ser
controladas
por
nós
e
passam
a
ser
controladas
por
aqueles
que
as
financiam.
Então
a
questão
da
independência
não
é
uma
questão
menor”,
afirma
José
Maria.
Outro
aspecto
destacado
pelo
sindicalista
é a
necessidade
de
uma
direção
que
seja
democrática
e
controlada
pela
base.
A
Conlutas,
informa
o
dirigente,
foi
transformada
numa
central
sindical
e
popular,
agora,
no
congresso
em
maio.
Podem
fazer
parte
da
organização
trabalhadores
que
estão
nos
sindicatos,
trabalhadores
que
estão
na
informalidade,
integrantes
dos
movimentos
dos
sem-teto,
sem-terra
e
dos
que
lutam
contra
a
discriminação.
A
crítica
tem
que
ser
radical
O
professor
da
UnB
Luiz
Fernando
tem
uma
posição
radical
contra
a
CUT
e
contra
o
governo
Lula.
“A
crítica
tem
quer
ser
radical,
para
transformar”,
diz.
Segundo
ele,
a
lógica
neoliberal
que
orienta
o
governo
do
PT
acabou
influenciando
a
postura
da
CUT,
que
se
transformou
num
braço
do
governo.
Luiz
Fernando
identifica
como
questão
de
fundo
o
problema
ideológico.
“A
CUT
coloca
sua
luta
nos
marcos
da
constituição
burguesa,
e
isso
não
tem
nada
a
ver
com
socialismo.”
Segundo
o
professor,
a
conjuntura
é de
derrota
do
trabalho
para
o
capital.
Ele
acusa
o
governo
Lula
de
fazer
aliança
com
os
que
se
apropriaram
do
Estado.
Para
Luiz
Fernando,
a
atitude
do
governo
se
reflete
na
postura
da
CUT,
que
foi
domesticada
e se
transformou
em
força
auxiliar
do
governo.
“Isso
ficou
evidente
no
episódio
da
reforma
da
Previdência,
onde
a
CUT
teve
uma
atitude
inaceitável.”
Luiz
Fernando
afirma
que
a
CUT
sucumbiu
ao
governo.
E o
governo
sucumbiu
ao
ideário
da
classe
dominante,
“aderiu
à
estrutura
do
capital”.
Luiz
Fernando
diz
que
a
mudança
de
característica
do
PT
vem
de
longe.
“No
início
de
1990,
José
Dirceu
já
afirmava
que
um
dos
problemas
do
partido
era
o
cadáver
insepulto
do
socialismo,
abandonando
as
teses
de
esquerda”.
Segundo
o
professor,
a
CUT
reproduz
a
lógica
do
capital,
esquece
o
marco
de
classe.
A
emancipação
do
trabalho
sobre
o
capital
é a
atitude
socialista”.
E
encerra,
indagando:
“O
que
estamos
fazendo
na
CUT?
Duas
visões
críticas
Jorge
Luiz
Martins,
da
Intersindical,
abriu
sua
bateria
de
críticas
a
setores
do
movimento
sindical.
Fundador
da
CUT,
Jorge
disse
que
os
sindicatos
estão
burocratizados,
o
aparelhismo
da
articulação
contaminou
a
CUT,
impedindo
espaço
para
o
pluralismo,
e a
formação
socialista
entre
os
militantes
é
reduzida.
“Em
alguns
casos”,
disse,
“as
entidades
se
transformaram
em
antros
de
pequenos
bandidos.”
De
acordo
com
ele,
um
dos
responsáveis
pela
“destruição
da
CUT”
é o
governo
Lula.
O
coordenador
da
Fasubra,
Luiz
Antônio
Araújo,
destacou
a
indiferença
da
CUT
em
relação
ao
movimento
do
funcionalismo
público
no
geral
e
dos
técnicos-administrativos
em
particular.
Segundo
Luiz
Antônio,
a
relação
da
CUT
com
o
governo
prejudica
diretamente
o
movimento
do
funcionalismo.
“O
que
se
viu
na
reforma
da
Previdência
é um
fato
que
não
deixa
dúvidas
de
que
lado
a
Central
está.” |