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Luta marca o dia das
mulheres
CUT, UNE e mais
diversas entidades
organizaram passeata
no centro do Rio
Quase quarenta horas
consecutivas de
mobilização, sem
pausa para
descansar. Essa foi
a vivência das
militantes do MST e
da Via Campesina no
Rio de Janeiro na
semana passada. A
mobilização começou
na manhã de
quarta-feira (7) com
a ocupação da sede
do BNDES e se
estendeu até a
noite, quando os
trabalhadores rurais
sem-terra rumaram
para a sede da
Superintendência
Regional do Incra,
que também foi
ocupada e assim
permaneceu até a
tarde de
quinta-feira (8).
Após deixar o Incra,
os militantes da Via
Campesina e do MST
marcharam até a
Candelária, no
centro do Rio, onde,
no fim da tarde,
engrossaram – ao
lado da CUT, da UNE
e de diversas outras
entidades – o ato de
repúdio à presença
do presidente dos
Estados Unidos,
George W. Bush, no
Brasil.
A ocupação do BNDES
fez parte da Jornada
de Luta em Defesa da
Vida e Contra o
Agronegócio,
promovida pelas
mulheres do MST e da
Via Campesina em
todo o país. Cerca
de cem mulheres,
acompanhadas por
crianças, chegaram à
sede do banco por
volta das 11h e
ocuparam o saguão,
exigindo falar com o
presidente da
instituição, Demian
Fiocca. As
manifestantes
denunciaram a
política de
investimentos do
banco, que, segundo
elas, privilegia
setores ligados ao
agronegócio, como
celulose e
biocombustíveis, em
detrimento do apoio
aos projetos ligados
à agricultura
familiar e aos
assentamentos da
reforma agrária: “O
BNDES financia
comida para gado e
matéria-prima para
papel, mas não
investe na produção
de alimentos de
forma limpa e
agroecológica”,
afirmou Nívia Régis,
que é integrante da
direção do MST no
Rio.
Numa nota
distribuída à
população durante a
ocupação do BNDES,
as mulheres
sem-terra afirmam
que “o modelo
agropecuário
exportador baseado
na destruição da
natureza e
subsidiado pelo
Estado é uma
agressão contra
nossa população, mas
vem sendo financiado
por nosso dinheiro”.
Os investimentos do
banco também são
criticados na nota:
“Em 2005 e 2006, o
BNDES desembolsou R$
3,3 bilhões para
projetos de plantio
de cana e construção
de usinas. Até 2012,
o banco pretende
liberar R$ 10
bilhões para o
setor. Para
comparar, no ano
passado o governo
federal aplicou o
mesmo valor na
agricultura
familiar. Já o
agronegócio recebeu
R$ 50 bilhões. Cinco
vezes mais!”
Bush atinge mulheres
camponesas
Durante a ocupação
da Superintendência
Regional do Incra,
que foi bem mais
tranqüila, as
mulheres da Via
Campesina e do MST
foram recebidas pelo
superintendente do
órgão no Rio de
Janeiro, Mário
Lúcio, e falaram
sobre a pauta
nacional dos
movimentos
sem-terra. Também
foi discutido o
plano de reforma
agrária do governo
federal para o Rio,
onde cerca de 850
famílias de
trabalhadores rurais
estão à espera de
assentamento: “No
Incra, mantivemos o
diálogo que já
existia e vamos
voltar em breve. No
BNDES, a ocupação
foi importante por
termos aberto um
novo espaço de
diálogo, pois o
banco nunca teve
absolutamente nenhum
projeto voltado à
agricultura
familiar”, avalia
Luciana Miranda, da
direção estadual do
MST.
Após deixarem a sede
do Incra, no início
da tarde de
quinta-feira (8), as
militantes
participaram de
caminhadas pelo Dia
Internacional da
Mulher e tomaram
parte nas
manifestações
anti-Bush que
ocorreram no centro
do Rio. Para Luciana
Miranda, a luta das
mulheres se confunde
com a luta contra o
neoliberalismo e o
agronegócio, e
também contra a
presença do
presidente dos EUA:
“Essa vinda de Bush
ao Brasil atinge
particularmente as
mulheres camponesas,
pois sua principal
pauta é o etanol.
Bush quer que o
Brasil duplique sua
produção de cana, o
que significaria um
novo ataque à
reforma agrária e à
agricultura
familiar. Nós,
mulheres do MST e da
Via Campesina, não
somos contra as
novas tecnologias,
mas somos contra a
lógica de produção
defendida pelos
EUA.”
Mulheres ocupam o
centro
Passeata reúne
grupos de vários
bairros da cidade
que ergueram
bandeiras com
motivações diversas
As mulheres ocuparam
o centro da cidade
na quinta-feira, 8
de março, numa
passeata para marcar
o Dia Internacional
da Mulher, atraindo
para a Avenida Rio
Branco, mulheres de
vários bairros da
cidade e também da
Baixada Fluminense.
A presidente da
CUT-RJ, Neuza Luzia
Pinto, comemorou as
inúmeras conquistas
obtidas pelas
mulheres ao longo
dos anos, mas
reafirmou a
necessidade de
organização para
enfrentar desafios
como a diferença
salarial com os
homens que leva as
mulheres a ganharem
menos mesmo quando
ocupam os mesmos
postos, o fim da
violência contra a
mulher e a
socialização do
poder. Para Neuza, é
preciso “juntar a
luta específica das
mulheres com a luta
revolucionária, por
transformações
profundas na
sociedade”.
Mulheres da Zona
Norte, da Zona Sul,
de Duque de Caxias,
de Nova Iguaçu e de
tantos outros locais
passaram pela
avenida com suas
palavras de ordem
pela legalização do
aborto, contra a
transformação do
corpo da mulher em
mercadoria, pelo fim
da violência contra
a mulher e por
igualdade de
condições no mercado
de trabalho.
A Zona Oeste trouxe
um belo e bom grupo
que se reúne no
Conselho de Mulheres
da Zona Oeste, com
sede em Santa Cruz.
O MST veio com
mulheres de vários
acampamentos e
assentamentos
e protestou contra o
agronegócio e pediu
crédito para
agroindústrias e
para a produção de
assentamentos da
reforma agrária
A estas juntaram-se
outras. O Movimento
Moleque, das mães de
jovens infratores,
protestava contra o
descaso e a
violência com que
seus filhos são
tratados. As mães
das vítimas da
violência policial
mostravam seu
lamento. Mulheres de
candomblé pediam o
fim da discriminação
religiosa.
Contra Bush - A
celebração do 8 de
Março deste ano
coincidiu com a
visita do presidente
dos Estados Unidos
ao Brasil e por isso
houve a união das
reivindicações das
mulheres com
protestos em todo o
País contra a
política
imperialista dos
Estados Unidos e
contra a guerra. São
Paulo foi o palco
dos maiores
protestos e a
manifestação reuniu
cerca de 20 mil
pessoas.
Fora Bush e sua
política
imperialista do
Brasil. Esta palavra
de ordem unia todas
estas mulheres e
mais as estudantes,
senhoras,
professoras
universitárias,
dirigentes
partidárias, como a
deputada Cida Diogo
(PT) e a presidente
do PCdoB estadual,
Ana Rocha, as
militantes dos
Círculos
Bolivarianos do PDT
e as sindicalistas
da CUT.
A passeata passou
pelo consulado dos
Estados Unidos, onde
foi queimado um
boneco de George
Bush. Em seguida, os
participantes da
passeata cantaram o
Canto das três raças
e as mulheres do MST
jogaram lixo na sede
da representação dos
EUA, no Rio de
Janeiro.
Quem bate em
mulher vai pra
cadeia
Desde 7 de agosto de
2006, está em vigor
a Lei nº 11.340 –
Lei Maria da Penha –
que impõe a quem
cometer crime de
violência doméstica
contra a mulher três
meses à três anos de
prisão. E se a
vítima for portadora
de deficiência, a
pena aumenta em um
terço. Pela primeira
vez na história do
país, recordista em
crimes contra a
mulher, foi
sancionada pela
presidência da
República uma lei
específica que pune
crimes desta
natureza.
A Lei Maria da Penha
vai mais além:
retira dos Juizados
Especiais Criminais
a competência para
julgar os crimes de
violência doméstica
contra a mulher;
proíbe a aplicação
de penas pecuniárias
como as de cesta
básica e multa;
determina que a
mulher só poderá
renunciar à denúncia
perante o juiz;
possibilita a prisão
em flagrante; altera
o Código de Processo
Penal para que o
juiz decrete prisão
preventiva quando
houver riscos à
integridade física
e, em todos os atos
processuais, a
mulher deverá estar
acompanhada de
advogado ou defensor
público.
Homenagem à
guerreira e líder –
A lei foi batizada
de Maria da Penha
porque esta mulher
tornou-se símbolo da
luta contra a
violência doméstica.
Penha sofreu duas
tentativas de
homicídio de seu
ex-marido, um
professor
universitário. A
primeira vez, em
1983, ele atirou
contra ela e, na
segunda, tentou
eletrocutá-la. Por
causa das agressões
sofridas, ficou
tetraplégica. O
agressor foi preso
por apenas dois
anos, depois de duas
décadas do crime,
mesmo assim porque
houve intervenção da
Comissão
Interamericana de
Direitos Humanos, da
Organização dos
Estados Americanos
(OEA). Revoltada com
o ocorrido, Maria da
Penha, 60 anos, mãe
de três filhas, se
uniu aos movimentos
sociais e, mais
tarde, decidiu
compartilhar sua
experiência no livro
“Sobrevivi... posso
contar”.
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