Informalidade
é
negação
de
direitos

NEUZA.
“Trabalho
informal
é
sinônimo
de
ausência
de
direitos
e de
proteção
social”
A
presidente
da
CUT-RJ,
Neuza
Luzia
Pinto,
considera
a
informalidade
como
um
dos
principais
problemas
que
afetam
a
classe
trabalhadora
no
Brasil
e no
mundo.
“Trabalho
informal
é
sinônimo
de
ausência
de
direitos
e de
proteção
social,
seja
das
políticas
de
Estado,
seja
da
organização
sindical”,
disse.
Para
a
dirigente,
o
avanço
do
neoliberalismo
e o
processo
de
reestruturação
produtiva
nos
anos
1990
provocaram
alterações
profundas
na
vida
dos
trabalhadores
brasileiros:
“O
aumento
do
trabalho
informal,
provocado
pela
flexibilização
de
direitos
trabalhistas,
pela
diminuição
da
presença
do
Estado
na
fiscalização
das
relações
de
trabalho,
e a
desestruturação
do
mercado
de
trabalho
nacional
são
a
pior
herança
que
herdamos
do
trágico
pe-ríodo
em
que
os
tucanos
governaram
o
país”.
Desemprego
x PJ
Segundo
Neuza,
dados
do
Dieese
mostram
que
o
desemprego
dobrou
no
Brasil
na
década
de
1990,
e a
partir
daí,
aumentou
brutalmente
a
informalidade
no
mercado
de
trabalho.
“Segundo
Jorge
Matoso,
no
site
do
Dieese,
as
taxas
de
desemprego
mais
que
dobraram
nessa
década.
O
emprego
formal
reduziu-se
em
3,3
milhões
de
postos
de
trabalho.
Nas
principais
regiões
metropolitanas,
os
trabalhadores
com
carteira
de
trabalho
representavam
57%
dos
ocupados
em
1989.
Dez
anos
depois,
em
1990,
respondiam
por
apenas
44,5%
do
mercado
de
trabalho.
Em
contrapartida,
os
trabalhadores
sem
carteira
de
trabalho
que
participavam
com
19,1%
em
1989
terminaram
a
década
com
26,4%.
O
crescimento
do
trabalho
informal,
por
sua
vez,
nos
anos
1990,
foi
de
mais
de
62%,
de
acordo
com
os
últimos
números
oficiais
do
IBGE,
que
também
acusa
que
os
rendimentos
dos
trabalhadores
reduziram-se
em
8%
ao
longo
dos
anos
1990”.
A
dirigente
cutista
chama
atenção
para
os
métodos
praticados
atualmente
pelas
empresas
para
se
livrarem
dos
encargos
sociais.
A
mais
recente
ofensiva
empresarial,
denuncia,
é a
chamada
Pessoa
Jurídica,
o PJ,
uma
forma
nova
de
fraudar
as
leis
trabalhistas.
“Individualmente,
o
empregado
abre
uma
empresa
e
faz
contrato
de
prestação
de
serviço
com
a
empresa
grande.
Com
isso
ele
perde
direitos,
como
férias
e
descanso
semanal
remunerado,
previdência,
13º
salário
etc.”,
explica
como
funciona
a
falcatrua
Neuza
Luzia.
Em
2007,
lembrou
Neuza,
a
CUT
organizou
grandes
mobilizações
contra
a
artimanha
do
empresariado
nacional,
que
tentou,
através
da
Emenda
3,
transformar
PJ
em
regra
geral.
Além
dessa,
há,
ainda,
segundo
Neuza,
outras
formas
utilizadas
pelo
empresariado
para
burlar
as
leis
e
lesar
os
trabalhadores,
principalmente
os
menos
qualificados,
como
as
cooperativas-fantasma,
as “coopergatos”.
Ação
da
CUT-RJ
A
meta
da
CUT
é
trabalhar
cada
vez
mais
para
aumentar
o
emprego
formal,
com
carteira
assinada,
pois
garante
os
direitos
dos
trabalhadores
e
benefícios
para
o
país,
afirmou
Neuza.
“No
Rio
de
Janeiro”,
informou,
“a
CUT
trabalha
para
organizar
alguns
setores
da
economia
informal,
como
os
ambulantes
e os
trabalhadores
dos
transportes
alternativos.
São
parcelas
fragilizadas
da
sociedade
que
buscam
sua
sobrevivência
na
rua.
Nos
últimos
anos
temos
visto
ações
do
governo
federal
que
vêm
reduzindo
esse
quadro
da
informalidade.
Mas
são
ainda
ações
muito
tímidas
frente
à
realidade
de
desigualdade
criada
por
séculos
de
exploração
da
classe
trabalhadora”.
Mas
o
que
está
na
ordem
do
dia,
reafirmou
a
presidente
cutista,
é a
luta
pela
redução
da
jornada
de
trabalho.
Uma
campanha
lançada
pela
Central
Sindical
e
que
tem
por
objetivo
a
melhoria
da
qualidade
de
vida
do
trabalhador
e a
geração
de
cerca
de 2
milhões
de
empregos
formais.
“É
bom
ressaltar
que
as
mulheres
e
jovens
são
os
mais
atingidos
pela
informalidade,
caracterizados
no
trabalho
doméstico
para
as
mulheres
e no
desemprego
para
a
juventude”,
disse.
“Todas
essas
conquistas”,
no
entanto,
“só
serão
possíveis
com
pressão
dos
movimentos
sociais,
organizados
em
torno
das
negociações
coletivas
e
para
pressionar
os
governos
para
que
sua
prioridade,
ao
contrário
do
que
foi
nas
últimas
décadas,
não
seja
mais
o
capital
internacional,
mas
sim
a
população
do
Brasil”,
finalizou
Neuza. |