Editorial  Uma trajetória de mais de 30 anos Algumas de muitos capas do Jornal do Sintufrj Representação por local de trabalho já fez história A Velha Universidade Nova Algumas imagens de luta da categoria André Amaral, ilustrador do Jornal do Sintufrj Video publicado na Internet e Uma Hitória de Luta: edição Luís Fernando Couto Direto da UFRJ Notícias on-line Datas histórias - fonte: NPC Volta para 1ª página
 
 

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Lúcia: Informalidade é diagnóstico antigo



LÚCIA REIS. Nas ruas para garantir 40 horas semanais

A dirigente da CUT nacional, Lúcia Reis, afirmou que a primeira coisa que se observa, no Brasil, é um número enorme de trabalhadores na informalidade. Mas esse diagnóstico, diz, é antigo, assim como o debate que se trava sobre o processo de automação que á ocorre ao longo das últimas décadas, cujas conseqüências são o desemprego em vários ramos de atividades.

“Não podemos esquecer que a Central Única dos Trabalhadores nasceu do movimento metalúrgico, nas linhas de produção, entre os bancários, rurais e o serviço público, setores afetados por essas mudanças no mundo do trabalho. Enquanto que, ao mesmo tempo, cresce o comércio. Desde então, a CUT busca ter uma política para combater essa realidade”, afirma a dirigente.
Na avaliação de Lúcia Reis a situação é grave, porque afeta quem não tem como reclamar seus direitos, os informais, e também quem tem carteira de trabalho assinada. Isso acontece principalmente com os trabalhadores do interior, incluindo funcionários públicos, que ficam à mercê do jogo da política e sofrem com a rotatividade de mão-de-obra.

Retomada da mobilização

Com uma base muito grande, heterogênea e abrangente, a CUT investe na retomada das mobilizações, informa Lúcia Reis. “Na década de 1990 tivemos um baque, e, hoje, o movimento sindical cutista ganha fôlego para continuar lutando, da mesma forma como ocorreu na resistência aos governos FHC, impedindo o aprofundamento das mudanças programadas para o mundo do trabalho”.
As principais bandeiras de luta da CUT para este 1º de Maio são: redução da jornada de trabalho sem redução do salário; recuperação do emprego formal; ser um instrumento para ampliar ofertas de trabalho; recuperação dos salários brutalmente achatados e aprofundamento do diálogo com quem está na informalidade.
“Estamos na rua com um abaixo-assinado para tornar realidade as 40 horas semanais de trabalho, sem mexer com o salário atual dos trabalhadores. A CUT reúne todos os esforços para transformar essa reivindicação da classe trabalhadora em projeto de lei. Outras bandeiras são a ratificação das Convenções 158 e 151, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A primeira, impede a demissão de trabalhadores sem motivação; a segunda, regulamenta a negociação coletiva no serviço público”, informou Lúcia.
“Com essas medidas”, acredita a dirigente, “a CUT terá mecanismos de proteção tanto para os trabalhadores no serviço público quanto particular, e poderá combater as práticas anti-sindicais e obrigar o governo a adotar processo negocial com as categorias”. Ela prevê, para essas conquistas, uma queda de braço muito grande, e que o direito de greve faz parte do pacote, pois é um mecanismo de solução de conflitos. “Temos que enviar cartas aos parlamentares, pressionar, e não olharmos para essas reivindicações de forma corporativa. Temos que encarar como uma vitória do campo de esquerda”, afirma.

Fator previdenciário

Esta reivindicação, segundo Lúcia, vai entrar na agenda do 1º de Maio deste ano. E do mesmo modo que as demais, deve se transformar em bandeira de luta de todos os setores de esquerda. A CUT defende o fim do fator previdenciário e a aprovação de uma política que vincule a valorização do salário mínimo a todas as aposentadorias.
Na quinta-feira passada, durante audiência pública realizada na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, foi aprovado o fim do fator previdenciário. “Nossa posição foi sempre contra o fator previdenciário, essa criação tucana que penaliza os trabalhadores”, afirmou o presidente da CUT nacional, Artur Henrique. Fator previdenciário é um redutor dos valores dos benefícios dos trabalhadores que se aposentam. A Central também defende, com rigor, a extensão dos reajustes futuros do salário mínimo para aposentadorias que ultrapasse o piso previdenciário. “Não é justo que as coisas continuem como estão. Todas as aposentadorias precisam de uma política enérgica de recuperação do seu poder de compra”, frisa.

Trabalhadores diante da insegurança e medo do futuro

Para o professor de história da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador sobre a formação da classe trabalhadora no Rio de Janeiro e os movimentos sociais, Marcelo Badaró, a principal novidade, hoje, no nosso “mundo do trabalho” é a insegurança do trabalhador em relação ao emprego e à sobrevivência.
Realidade que para o historiador se firmou a partir da década de 1990, quando foi dada maior ênfase ao processo de desregulamentação da legislação trabalhista. “Ou seja, o que ocorreu foi mais que uma distribuição da força de trabalho por setores, cujas conseqüências se acentuam”, afirma.

“Brasil possui hoje menos da metade dos trabalhadores empregados com a carteira de trabalho assinada”, lembra historiador

Na contabilidade de Badaró, “o Brasil possui hoje menos da metade dos trabalhadores empregados com a carteira de trabalho assinada; taxa de desemprego entre os 10 e 20% nas grandes capitais e uma difusão de novas e variadas formas de precarização: terceirização, contrato por tempo determinado, contratos de prestação de serviços, cooperativas de mão-de-obra etc.”
Essas mudanças em curso, segundo Badaró, interferem objetiva e subjetivamente sobre a classe trabalhadora, que ele considera continua a ser o sujeito coletivo por excelência da luta pelo socialismo. Ele explica seu ponto de vista: “Objetivamente porque há maior fragmentação da classe, dificultando a organização coletiva e uma insegurança maior em relação aos empregos formais, levando a um temor de que lutas coletivas possam resultar no desemprego. Subjetivamente, neste quadro, há maiores dificuldades de que as experiências de exploração às quais a classe está submetida sejam identificadas como comuns e resultantes da atuação das classes dominantes, levando a uma situação em que a consciência de classe reflui”.
A saída, aponta Badaró, é “unificar a classe na luta, provar a efetividade da luta coletiva, esclarecer os trabalhadores sobre a unidade da experiência comum, em meio à diversidade das formas de exploração, e conscientizar sobre a necessidade da ação coletiva em direção ao projeto de transformação social”. E, acrescenta: “São os desafios que tal situação coloca para os socialistas”.
Como o movimento sindical deve agir diante da situação? Não há, acredita Badaró, fórmulas mágicas para superar a conjuntura adversa; mas há a necessidade de socializar as experiências positivas e fazer avançar a luta num patamar mais geral de luta da classe, não apenas das categorias isoladas. “Para isso”, ensina, “seria essencial que o movimento sindical buscasse: representar não apenas os trabalhadores com empregos formais, mas também os desempregados e precarizados de toda ordem (terceirizados, prestadores de serviços etc), através de bandeiras comuns, como redução da jornada sem redução de salários, elevação do seguro-desemprego, salários iguais para mesmo serviço, independentemente da modalidade de contratação, entre outras; unificar as lutas da classe em relação ao trabalho, moradia, direito à terra, contra a violência e criminalização da pobreza e dos movimentos sociais etc.; (re) construir os laços internacionais das organizações da classe trabalhadora e outras organizações de claro perfil anti-sistêmico; romper com toda e qualquer forma de controle estatal e patronal; retomar a perspectiva combativa, de enfrentamento classista, combinando as lutas específicas ao horizonte mais geral de luta pelo socialismo”.


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