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Ana Maria Ribeiro

Denise Goes

Jeferson Salazar

       
 

Dia Internacional pela eliminação da discriminação racial

No dia 21 de março comemorou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Para muitos pode parecer que não haja necessidade deste dia, pois como dizem que vivemos em uma democracia racial, não há nenhum tipo de distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na cor, ascendência ou origem étnica.
Entretanto, é importante resgatar, para que fique sempre na memória, que neste dia, no ano de 1960, na cidade de Johannesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a Lei do Passe, que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.
Por isso, articulou-se uma manifestação pacífica, onde o exército contra-atacou atirando sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta terrível ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville, e em memória a esta tragédia a ONU instituiu o 21 de Março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.
De 1960 até os dias de hoje muita coisa realmente mudou, mas não podemos afirmar que vivemos numa sociedade que aboliu definitivamente o racismo de sua estrutura; as desigualdades ainda permanecem marcando a trajetória do negro no Brasil em vários aspectos.
Precisamos continuar na luta por um programa de ações afirmativas, que possa delinear um conjunto de ações governamentais que proporcionem igualdade de oportunidades, que visualize as condições em que o negro foi lançado na sociedade por conta da abolição da escravidão – sem casa, sem dinheiro, sem nenhuma qualificação, enfim, sem nenhuma condição de se estabelecer.
Precisamos deixar de considerar este dia como um dia qualquer, porque não é. Precisamos ser propagadores da importância da existência deste dia, como um marco importante na luta negra.

Denise Francisco Góes
Militante do Movimento Negro

 


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