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Uma trajetória de mais de 30 anos
Desde que as entidades representativas foram tomadas das mãos de direções pelegas, passivas e as vezes até colaboracionistas, o movimento dos servidores das universidades, em particular da UFRJ, por diversas vezes foi o carro chefe de muitas lutas do serviço público, e dos trabalhadores, em nível nacional, conquistando feitos históricos como uma carreira nacional e a defesa da universidade contra ameaças concretas de privatização.
Você, que ajudou a construir a entidade, foi para as ruas em nossos grandes atos, faz parte dessa história vitoriosa.
Hoje temos um Sindicato forte, de expressão nacional, que luta à frente da resistência contra o projeto neoliberal. Saberemos vencer mais esse desafio. Aqui, resgatamos um pouco da nossa trajetória.
1960 - Um grupo de servidores resolve construir uma associação recreativa e beneficente, em fins da década de 50. A Associação de Servidores da Universidade do Brasil é fundada em 11 de junho de 1960, visando a prática de esportes, reuniões sociais, assistência médica, jurídica, farmacêutica, odontológica e hospitalar. Dez anos depois, funde-se com o Esporte Clube Cidade Universitária, mantendo seu caráter assistencialista e afirmando em seu estatuto que entre seus objetivos está abster-se de qualquer discussão política. Mantém um vínculo forte com a instituição e avessa à demandas reivindicatórias e confronto com as administrações e órgãos do Estado.
1970 - A ditadura, que através do MEC garantia os brinquedos nas festas de fim-de-ano, começou a agonizar no final de 70. Conquistas democráticas eram obtidas pela sociedade organizada. Despontavam no país ações contestatórias de um novo sindicalismo, independente e aguerrido. Em todo o país, os servidores foram se apropriando das entidades subservientes e imprimindo-lhes uma diretriz sindical. Na UFRJ não foi diferente.
1980 - Os funcionários reconhecem a necessidade de um instrumento de luta forte e organizado. Até que, em 82, vencendo o imobilismo da então diretoria da ASUFRJ, fazem sua primeira greve, que deixou marcas profundas e um avanço irreversível no movimento. Ao seu término, criou-se um conselho de representantes independente da direção da ASUFRJ, que se tornou o interlocutor de fato da comunidade.
1984 - Concorrem à direção da ASUFRJ duas chapas: uma de linha assistencialista e recreacionista, e a outra buscando um associativismo combativo. O grupo mais combativo vence a eleição e dá à entidade uma face política e de representação de fato dos servidores. Várias associações no país, assim como a FASUBRA - Federação das Associações de Servidores das Universidades Brasileiras - ganham um novo perfil de combatividade. Neste mesmo ano, fazem uma longa greve, de 84 dias, junto com os professores, com pautas unificadas. A categoria ganha 40% e o compromisso de isonomia com as universidades fundacionais.
1985 - Uma nova greve reivindica a Isonomia, um plano de carreira e democratização nas universidades. Trabalhadores em Educação reivindicam eleições diretas para reitor. Na UFRJ, o reitor eleito é empossado.
1986 - É deflagrada a quinta greve por isonomia. O governo ofereceu o atendimento à reivindicação dos servidores em troca do apoio ao projeto GERES, uma proposta de reforma universitária que, assim como vemos hoje, desfiguraria o caráter público e gratuito do ensino superior federal; desobrigaria o Estado para com a manutenção das atividades da instituição. Os funcionários das universidades em todo o país posicionam-se pela rejeição integral do projeto.
1987 - Explodem as greves que conquistaram a lei da isonomia e a carreira. Depois de mais um período de greve, entre abril e maio, o MEC apressa o processo de implantação da isonomia entre autarquias e fundações e enfim os técnico-administrativos alcançam sua primeira carreira própria. Essas conquistas são um importante passo para o fortalecimento da identidade da categoria como trabalhadores do setor público de educação.
1989 - As universidades participam da greve geral que arranca a política salarial de reposição mensal da inflação para todos os trabalhadores. Impõem nova derrota ao governo: reposição de todas as perdas acumuladas, após greve de 54 dias. Neste período a categoria aprofunda a busca por uma identidade única dos servidores públicos federais e a construção de um Regime Jurídico Único.
1990 - O RJU é aprovado, após intensa luta. Mais uma vitória com caravanas à Brasília e paralisações para derrotar o veto de Collor. Os servidores da UFRJ foram os primeiros a aprovar greve no serviço público contra a política de demissões do governo Collor. A UFRJ puxou e liderou a greve por tempo indeterminado. Em apenas uma semana mais de 20 universidades paralisam suas atividades. Os trabalhadores da UFRJ estiveram entre os primeiros também a apoiar a luta "Fora Collor, por eleições gerais", que culminou com seu impeachment.
1992 - Trava-se a luta vitoriosa contra a estatuinte imposta pela reitoria, pensada e criada de cima para baixo. A reitoria reconhece que todos os servidores são estatutários, preservando direitos de quatro mil extra-quadros. Greve de maio exige carreira para todos os trabalhadores em educação, recomposição salarial e passivos como também a retirada do Projeto de Emenda Constitucional do Governo (PEC-56), que acabava com o RJU e restringia verbas para a universidade. A PEC 56 sai de pauta de votação. Cresce a necessidade de consolidação de uma entidade sindical, que representasse o conjunto da categoria, em uma forma de organização mais avançada.
1993 - A categoria decide pela transformação da Associação em um sindicato local. Nasce, em 93, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ, o SINTUFRJ.
1994 - Ano de resistência contra à revisão constitucional e de luta contra a URV. Servidores páram o trabalho por mais de 50 dias e conquistam a complementação de três referências para todas as IFES e a assinatura de intenções da isonomia e reierarquização. "Sem salário, sem trabalho" nasce a campanha que paralisa o trabalho pelo imediato pagamento do 13º salário.
1995/96 - FHC é empossado. Se instala o império dos ataques diretos contra os direitos do servidores e a destruição do serviço público. Em abril, servidores voltam às ruas contra a revisão constitucional e lutam para garantir o pagamento dos 26% e a autonomia universitária. Em maio, estoura uma greve histórica de adesão ao movimento nacional dos SPF e das estatais pelo fim da revisão neoliberal, reposição de perdas e em defesa da previdência pública.
1997 - Ano de luta acirrada contra a reforma administrativa e contra a intervenção do governo de FHC na UFRJ. O SINTUFRJ lidera a maior mobilização em defesa da UFRJ e consegue dos dirigentes universitários e do CONSUNI uma posição de confronto ao governo FHC. O movimento dos servidores da UFRJ extrapola os muros da universidade e sai em defesa da Vale do Rio Doce e dos trabalhadores rurais: Servidores e MST marcham juntos sobre Brasília. .Em vários momentos, o SINTUFRJ esteve nas ruas, como no ato "Universidade na Praça", o "Show dos Sem", e a campanha "Fome de Justiça". Esteve também ao lado de movimentos sociais, como o dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, como por exemplo na exposição promovida no IFCS "Terra- MST - Sebastião Salgado". Mas a luta pelo respeito à Justiça e o direito de recebermos os 28,86% seguiu ao longo de 97 e 98.
1998 (até julho) - Na UFRJ retomamos uma poderosa mobilização em conjunto com os demais movimentos - dos estudantes e dos docentes - em dois aspectos da vida da instituição que mexem com todos nós. A eleição para reitor e o ataque do governo FHC às universidades públicas, com o cerceamento cada vez maior de recursos e a imposição de leis que afrontam a autonomia. Na escolha do reitor, derrotamos a regra excludente de escolha determinada pelo governo. Em meio a uma das maiores greves nas universidades, 15.000 pessoas vão as urnas nos dias 17, 18 e 19/4 e escolhem o professor Aloísio Teixeira para reitor. Este resultado é ratificado depois no Colégio Eleitoral. Acontece uma das maiores greves da história das universidades. Por mais de 90 dias, professores e servidores protagonizam uma heróica luta por melhores salários e por mais verbas e vagas nas Universidades Públicas. |