Epidemia na cidade
Enquanto crianças
morrem com dengue no
Rio, prefeito vai pra
Bahia e diz que vai
rezar pela cidade
A atitude do prefeito
César Maia de pedir ao
Senhor do Bonfim que o
ajude contra a dengue no
Rio indignou
especialistas da área de
Saúde. Enquanto ele nega
a epidemia, acusa os
governos federal e
estadual pela crise, num
jogo de empurra no qual
a população é vítima.
O estado tinha até
sexta-feira 44 mil casos
registrados e 54 mortes
confirmadas desde
janeiro. A Secretaria de
Saúde ainda investiga
outras 60 notificações
de morte pela dengue.
Vinte mortes foram
provocadas por dengue
hemorrágica e a maioria
foi de crianças de 2 a
13 anos.
“César Maia vai rezar na
Bahia. Patético.
Certamente se ele rezar
somente não resolve. O
que resolve é combater o
mosquito e melhorar a
organização de
assistência aos
pacientes”, disse
Roberto Medronho,
epidemiologista da UFRJ,
o primeiro especialista
a denunciar o quadro de
epidemia de dengue no
Rio.
Para ele, os índices da
epidemia devem continuar
subindo, e só descem a
partir de meados de
abril. Ele espera que em
junho haja menos casos.
Isso pelo fato de que no
inverno o mosquito não
se reproduz de forma tão
intensa.
Atenção básica
Roberto Medronho
participou de reunião
com especialistas
reunidos na Fiocruz, que
disseram ser necessária
a ampliação da atenção
básica de saúde no
município do Rio de
Janeiro, com especial
atenção para a saúde da
família.
O município do Rio tem
um dos menores índices
de cobertura do Programa
de Saúde da Família do
Brasil (8%).
Segundo Medronho, o
município é reticente em
implantar o Programa da
Saúde da Família: “Não
há mecanismos para que a
Prefeitura implante o
programa principalmente
voltado para a baixa
renda. Entretanto, o que
deve haver é pressão
política por parte da
sociedade para que a
prefeitura reveja sua
posição.”
Solidariedade na UFRJ
Na sexta-feira, 28, o
ônibus do Hemorio
(Instituto Estadual de
Hematologia) estava na
Praia Vermelha e recebeu
muitos funcionários da
UFRJ, que reconheceram a
importância do ato
solidário de doar sangue
em meio à epidemia de
dengue no Rio.
A demanda por sangue no
Hemorio cresceu 30% este
ano. Com a incidência de
dengue hemorrágica, o
paciente necessita de
plaquetas – componente
que não pode ser
estocado por mais de
cinco dias. Cada doação
gera uma bolsa de
plaquetas. Cada paciente
precisa de uma bolsa por
10 quilos de peso. Um
adulto de 80 quilos
necessita de oito
doadores de sangue. Até
5 de abril, um ônibus da
instituição percorrerá
vários outros pontos da
cidade para facilitar a
doação.
Para doar são
necessários identidade
com foto, ter mais de 18
anos e menos de 65,
pesar mais do que 50 kg,
não ser usuário de
drogas nem estar grávida
ou amamentando. Não é
preciso jejum. Mas
evitar alimentos
gordurosos quatro horas
antes. Informações no
Disque-sangue:
0800-2820708 ou no site:
www.hemorio.rj.gov.br.
Combate ao mosquito
Em virtude da incidência
de casos de dengue na
região da Ilha do
Fundão, fruto do surto
epidêmico em vários
municípios do Estado do
Rio de Janeiro, nesta
segunda-feira, 31, será
realizado na UFRJ o Dia
D contra a Dengue. Será
na sala 1 da Decania do
CCMN, a partir das 15h
coordenado pelo Grupo de
Trabalho de Combate à
Dengue da UFRJ, formado
pelos professores
Maulori Cabral, do
Instituto de
Microbiologia, e
Roberto Medronho, do
Instituto de Estudos de
Saúde Coletiva, pelo
técnico-administrativo
Lenir Gomes e pelo aluno
de graduação Jonatas de
Almeida.
O Grupo de Trabalho
pretende incorporar
representantes das
diversas unidades da
UFRJ para a vigilância
sanitária na UFRJ.
Professores e
representantes dos
estudantes no Conselho
Universitário apontaram
a existência focos – em
lugares como os lagos
atrás da Reitoria – e
casos de dengue, entre
eles em quatro moradores
do Alojamento. Isso,
segundo os estudantes,
indicaria a
possibilidade de
existência de um foco
ali. Eles também
reclamaram da demora a
estes estudantes no
atendimento no HU.
Para Medronho, se de
fato há vários casos no
Alojamento, muito
provavelmente está
havendo transmissão de
dengue no Fundão: “Temos
que tratar com a máxima
urgência possível”,
disse, explicando que
haverá reunião esta
semana da comissão para
analisar as providências
cabíveis.
Iesc: debate
Especialistas da UFRJ
vão se reunir, em um
debate organizado pelo
Instituto de Estudos em
Saúde Coletiva (IESC) –
aberto para toda a
comunidade –, para
discutir medidas
emergenciais diante da
gravidade da situação e
da curva ainda
ascendente de número de
casos. Entre os
debatedores estão Celso
Ramos, do Departamento
de Doenças Infecto
Parasitárias da
Faculdade Medicina,
Diana Maul, do
Departamento de Medicina
Preventiva, e Medronho,
do Iesc. Será às 9h do
dia 2 de abril no
auditório do Iesc (na
Praça da Prefeitura).
Depois do leite
derramado
No dia 24, especialistas
em pesquisas de saúde se
reuniram na Fundação
Oswaldo Cruz (Fiocruz)
para analisar a
epidemia. Apontaram a
necessidade de
diagnóstico preciso no
caso de crianças que se
enfraquecem rapidamente.
A mãe deve observar se a
criança fica agitada ou
sonolenta, ou se
apresenta falta de ar,
dor na barriga, vômitos
e a presença de
sangramento. Explicaram
que o mosquito ataca em
geral durante o dia e a
no máximo meio metro de
altura, por isso é
importante proteger as
pernas. Ainda é preciso
muita atenção para
evitar focos em casa,
caixa d'água ou ralos
destampados e todo tipo
de água acumulada da
chuva. Disseram que a
vacina está sendo
pesquisada, mas vai
demorar. No mínimo cinco
anos.
VEJA OS NÚMEROS
Em 2007, 158 brasileiros
morreram em conseqüência
da dengue. Segundo o
Ministério da Saúde, 61
tinham menos de quatorze
anos. A região com o
maior número de mortos
foi a Sudeste: 50. |