Palestrante convidado, professor João Carlos Machado,
da UFRRJ, fala da realidade à luz do marxismo
Este ano, o Fórum Social Mundial (FSM)
comemora sua 10ª edição, e para comemorar esse feito o
evento não será realizado de forma global, único e
centralizado: vai ser permanente e ao longo de 2010. O
objetivo deste FSM é acumular análises, propostas e
experiências dos movimentos e organizações sociais para
enfrentar as diversas crises. O espaço de convergência desse
acúmulo será o Fórum Social Mundial Dacar 2011, este, sim,
centralizado.
O SINTUFRJ que participa do FSM desde a
sua estreia, em 2001, realizou em novembro de 2009 o
primeiro encontro da categoria para discutir a pauta do
evento, quando também foi decidido que a Coordenação de
Educação e Cultura faria um seminário, o que ocorreu na
quinta-feira, 14 de janeiro, na subsede sindical no HU. Quem
compareceu às duas atividades habilitou-se a uma vaga na
caravana do Sindicato a Porto Alegre. O SINTUFRJ enviará 40
sindicalizados ao FSM de 2010.
A capital gaúcha sediará de 25 a 29 de
janeiro o Seminário de Avaliação dos 10 Anos do Fórum Social
Mundial.Os debates ocorrerão na Usina Gasômetro, nos
armazéns do Cais do Porto e na Assembleia Legislativa.
Reunirá lideranças nacionais e internacionais que
participaram das várias edições do FSM, tanto para avaliar
sua trajetória quanto para indicar alternativas e
estratégias a fim de enfrentar a crise de civilização gerada
pela globalização neoliberal. Nesses locais haverá ainda o
Seminário Mundo do Trabalho, o Fórum Mundial de Juízes e os
espaços da Economia Solidária.
No dia 25 de janeiro, a Caminhada de Abertura do FSM 10
Anos irá percorrer as principais ruas do centro da cidade,
encerrando no anfiteatro Pôr-do-Sol com o Show de Abertura.
Também no anfiteatro, no dia 28 de janeiro, ocorrerá o
painel Diálogos e Controvérsias, com a presença do
presidente Lula e chefes de Estado latino-americanos,
apoiadores históricos do processo FSM.
Pontos de vistas esquentam o debate
O professor de Filosofia da UFRRJ, João
Carlos Bernardo Machado, foi o convidado do SINTUFRJ para
falar sobre Educação e Trabalho: aspectos sociais da
contemporaneidade, no seminário preparatório ao Fórum Social
Mun-dial 10 Anos – Grande Porto Alegre. O debate foi
conduzido pela coordenadora de Educação e Cultura do
Sindicato, Dulce Machado.
João Carlos iniciou sua exposição com uma
definição: "A epígrafe da relação educação e trabalho é a
que consiste na esperança de um desenvolvimento social e de
ajuste político e econômico para um mundo supostamente
melhor. Neste sentido, a promulgação da nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Brasileira em 20 de dezembro
de 1996 teve, em princípio, como ação política a promoção de
uma ampla mudança na estrutura do sistema de ensino,
propondo incremento de uma real funcionalidade na gestão da
educação de um novo caminho para a operacionalização de
valores da prática escolar."
De acordo com o professor, "no âmbito do
sistema educacional, o trabalho, pelas referências de
tratamento marxista, constitui-se um instrumento
preponderante da qualificação, daí o interesse apurado das
classes populares e adequação humana, ao mercado de
trabalho". Portanto, explicou, "todos os fatos e interesses
que perduraram durante uma década e meia para constituição
do texto legal da LDB 9394/96 indicam que a educação terá
como finalidade e disciplina funcional a prática social e a
qualificação da mão de obra do indivíduo para o mercado de
trabalho".
Ele disse ainda que a universalização da
prática docente pela ótica do capitalismo proporcionou,
principalmente no Brasil, pela instrumentalização do sistema
de ensino, uma formação para o trabalho cujos processo e
financiamento visam garantir uma produção magna do próprio
capital e sua produção em todos os segmentos das relações de
dominação da chamada burguesia sobre as sociedades
contemporâneas.
Na breve análise sobre a atuação do
governo Lula na educação, feita ao responder à pergunta do
dirigente do SINTUFRJ Roberto Gomes, o professor concordou
que foi um avanço a interiorização da universidade pública,
através da criação de instituições federais de ensino
superior, da construção dos campi avançados da UFRJ, UFF e
UFRRJ, por exemplo, e de escolas técnicas país afora. Mas
para ele a sociedade só irá se modificar quando houver uma
revolução no ensino básico. "O fracasso no ensino superior é
a falta de base", acrescentou.
João Carlos considera o FSM como uma iniciativa que
permite um certo encaixe às expectativas sociais e às
condições históricas do indivíduo, como se fosse uma porta
que pudesse dar à pessoa uma condição humana melhor. Em
fevereiro ele irá a Cuba e sua intenção é suscitar, na
academia cubana, "o debate de Marx em relação a questões
políticas e históricas e não científica, como é demandada
pela maioria dos marxistas".
A importância do FSM para o trabalhador