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18/1/2010

Seminário preparatório para o FSM discute educação e trabalho

Palestrante convidado, professor João Carlos Machado, da UFRRJ, fala da realidade à luz do marxismo

Este ano, o Fórum Social Mundial (FSM) comemora sua 10ª edição, e para comemorar esse feito o evento não será realizado de forma global, único e centralizado: vai ser permanente e ao longo de 2010. O objetivo deste FSM é acumular análises, propostas e experiências dos movimentos e organizações sociais para enfrentar as diversas crises. O espaço de convergência desse acúmulo será o Fórum Social Mundial Dacar 2011, este, sim, centralizado.

O SINTUFRJ que participa do FSM desde a sua estreia, em 2001, realizou em novembro de 2009 o primeiro encontro da categoria para discutir a pauta do evento, quando também foi decidido que a Coordenação de Educação e Cultura faria um seminário, o que ocorreu na quinta-feira, 14 de janeiro, na subsede sindical no HU. Quem compareceu às duas atividades habilitou-se a uma vaga na caravana do Sindicato a Porto Alegre. O SINTUFRJ enviará 40 sindicalizados ao FSM de 2010.

A capital gaúcha sediará de 25 a 29 de janeiro o Seminário de Avaliação dos 10 Anos do Fórum Social Mundial.Os debates ocorrerão na Usina Gasômetro, nos armazéns do Cais do Porto e na Assembleia Legislativa. Reunirá lideranças nacionais e internacionais que participaram das várias edições do FSM, tanto para avaliar sua trajetória quanto para indicar alternativas e estratégias a fim de enfrentar a crise de civilização gerada pela globalização neoliberal. Nesses locais haverá ainda o Seminário Mundo do Trabalho, o Fórum Mundial de Juízes e os espaços da Economia Solidária.

No dia 25 de janeiro, a Caminhada de Abertura do FSM 10 Anos irá percorrer as principais ruas do centro da cidade, encerrando no anfiteatro Pôr-do-Sol com o Show de Abertura. Também no anfiteatro, no dia 28 de janeiro, ocorrerá o painel Diálogos e Controvérsias, com a presença do presidente Lula e chefes de Estado latino-americanos, apoiadores históricos do processo FSM.

Pontos de vistas esquentam o debate

O professor de Filosofia da UFRRJ, João Carlos Bernardo Machado, foi o convidado do SINTUFRJ para falar sobre Educação e Trabalho: aspectos sociais da contemporaneidade, no seminário preparatório ao Fórum Social Mun-dial 10 Anos – Grande Porto Alegre. O debate foi conduzido pela coordenadora de Educação e Cultura do Sindicato, Dulce Machado.

João Carlos iniciou sua exposição com uma definição: "A epígrafe da relação educação e trabalho é a que consiste na esperança de um desenvolvimento social e de ajuste político e econômico para um mundo supostamente melhor. Neste sentido, a promulgação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira em 20 de dezembro de 1996 teve, em princípio, como ação política a promoção de uma ampla mudança na estrutura do sistema de ensino, propondo incremento de uma real funcionalidade na gestão da educação de um novo caminho para a operacionalização de valores da prática escolar."

De acordo com o professor, "no âmbito do sistema educacional, o trabalho, pelas referências de tratamento marxista, constitui-se um instrumento preponderante da qualificação, daí o interesse apurado das classes populares e adequação humana, ao mercado de trabalho". Portanto, explicou, "todos os fatos e interesses que perduraram durante uma década e meia para constituição do texto legal da LDB 9394/96 indicam que a educação terá como finalidade e disciplina funcional a prática social e a qualificação da mão de obra do indivíduo para o mercado de trabalho".

Ele disse ainda que a universalização da prática docente pela ótica do capitalismo proporcionou, principalmente no Brasil, pela instrumentalização do sistema de ensino, uma formação para o trabalho cujos processo e financiamento visam garantir uma produção magna do próprio capital e sua produção em todos os segmentos das relações de dominação da chamada burguesia sobre as sociedades contemporâneas.

Na breve análise sobre a atuação do governo Lula na educação, feita ao responder à pergunta do dirigente do SINTUFRJ Roberto Gomes, o professor concordou que foi um avanço a interiorização da universidade pública, através da criação de instituições federais de ensino superior, da construção dos campi avançados da UFRJ, UFF e UFRRJ, por exemplo, e de escolas técnicas país afora. Mas para ele a sociedade só irá se modificar quando houver uma revolução no ensino básico. "O fracasso no ensino superior é a falta de base", acrescentou.

João Carlos considera o FSM como uma iniciativa que permite um certo encaixe às expectativas sociais e às condições históricas do indivíduo, como se fosse uma porta que pudesse dar à pessoa uma condição humana melhor. Em fevereiro ele irá a Cuba e sua intenção é suscitar, na academia cubana, "o debate de Marx em relação a questões políticas e históricas e não científica, como é demandada pela maioria dos marxistas".

A importância do FSM para o trabalhador

Dois dos coordenadores-gerais do SINTUFRJ, Francisco de Assis e JonhsonBraz,participaram da mesa de abertura do seminário e falaram à categoria sobre o significado do Fórum Social Mundial.

Francisco de Assis considerou como muito importante para a categoria o seminário organizado e realizado pela Coordenação de Educação e Cultura do SINTUFRJ. Ele ressaltou a importância da ida dos técnicos-administrativos da UFRJ ao FSM contando o resultado da sua própria experiência ao participar do segundo evento, em Porto Alegre, em 2002. "Estar lá é de grande valia para observar os movimentos sociais. Em mim despertou o interesse de ser dirigente do nosso Sindicato, e eu espero que isso ocorra com outros, porque tem que se passar o bastão para manter acesa a chama", disse.

O coordenador aproveitou a oportunidade para, mais uma vez, informar que o SINTUFRJ está fazendo a sua parte pela democratização da internet para os trabalhadores. Já há alguns meses a entidade disponibilizou três computadores ligados à rede para a categoria, na sede da entidade.

"O FSM", afirmou Jonhson, "é um evento de grande vulto, de caráter apartidário, mas não apolítico. Reúne pessoas e organizações de esquerda que querem outro mundo, com direitos humanos e que discuta, por exemplo, solidariedade e a tragédia do Haiti, um país muito parecido com o nosso. O FSM tem a responsabilidade de construir alternativas à globalização e ao neoliberalismo, embora muita coisa já não haja mais volta. Um mundo sem hierarquia e exclusão social, mas com inclusão digital, que é um direito de todo trabalhador. Um Brasil não aberto para o capital estrangeiro e às multinacionais, que não dão retorno financeiro à população."

SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DA UFRJ - webdesign Luís Fernando Couto