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9º CONGRESSO

TESES    
 

 

Área para downloads das apresentações no 9º CONSINTUFRJ em PPT

Adeilson - Conjuntura
Albana - Educação e Transformação
Ana Maria - Reestruturação do Ensino Superior
Lucia Reis - Organização Sindical no Setor Público
Rosane - Desafios da Organização Sindical
Osório - Papel do Servidor: uma história de construção



Que sindicato queremos afinal?

Autônomo e independente ou atrelado a partidos e ao governo?

Queremos aproveitar este espaço não simplesmente para polemizar com esta ou aquela corrente de pensamento. Queremos sim, dialogar com a categoria e expor nossas posições sobre os vários temas que serão abordados no Congresso sobre os rumos do sindicato.
Que sindicato queremos afinal? Autônomo e independente ou atrelado aos partidos e ao governo? Que representação de central de trabalhadores queremos? Uma que vem se prestando ao nefasto papel de ser braço sindical do governo Lula como é o caso da CUT ou realizarmos um sério plebiscito sobre se devemos ou não continuarmos a financiar com R$ 43 mil mensais a quem hoje não se mostra mais em defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora.
Que postura iremos assumir para tentar verdadeiramente dar ao movimento sindical sua efervescência de tempos atrás, a de conformismo nas greves, tentando a todo custo poupar este governo que se entitula popular, ou a de uma construção baseada unicamente em defesa de nossos direitos?
O espaço congressual é privilegiado para estas discussões e queremos que não só os delegados, mas a categoria possa acompanhar de perto como se comportam as direções que hoje atuam vergonhosamente para frear o movimento.



Vamos à Luta por revisões salariais

Os Departamentos Jurídicos dos sindicatos de servidores federais,devem ser prestigiados para enfrentar as teses do TCU e AGU que revisam folhas de pagamento para reduzir gastos com funcionalismo, atropelando atos jurídicos.
Essa situação tem ocorrido em diversos casos e órgãos, já como política de redução de gastos com folha de pagamento, tal como proposto por Lula no Projeto de Lei nº 01/2007, que dá nova redação à Lei de Responsabilidade Fiscal, congelando aumentos da folha até 2016. Ocorre que na prática, essa política já está em curso. O Tribunal de Contas da União, apesar de ser um órgão de controle finalístico de contas, tem utilizado decisões administrativas para interpretar, pela ótica do governo, aplicação e revisão de decisões judiciais, mesmo as transitadas em julgado e decisões administrativas de mais de 5 anos de incorporação ao patrimônio dos servidores. Tem o TCU orientado à Advocacia Geral da União interpor revisões e informado aos Tribunais sua interpretação, sobretudo no tocante aos chamados Planos Econômicos.
O pior é que essas interpretações, ao arrepio da estabilidade jurídica, tem influenciado os Tribunais, pegando órgãos e servidores de surpresa e em muitos casos, não lhes dando o amplo direito de defesa. Sem Jurídicos sindicais fortes, será difícil enfrentar a maior banca de advocacia do mundo, que a partir da edição da Lei nº 10.480/02, incorporou as Procuradorias de todos os órgãos federais, mesmo as das Universidades, em flagrante desrespeito à autonomia universitária (que inclui a administrativa), protegida pelo Artigo 207 da Constituição Federal.
Em verdade, está em curso no governo Lula, uma ampla revisão da legislação que protege direitos dos trabalhadores, através de uma enxurrada sufocante de Medidas Provisórias, que nada tem de urgência e relevância, desrespeitando o Artigo 62 da Constituição Federal e usurpando do Congresso a prerrogativa de legislar.
Assim, é brigar pela correta interpretação/implementação da Lei nº 11.091/05 no tocante à incidência dos percentuais de incentivo à qualificação sobre toda a remuneração. Assim como também é correta a briga pelos atrasados da Lei nº 10.302/01, que prejudicou os servidores aposentados e os que se aposentaram entre os meses de junho e dezembro de 2001, a chamada GDATA.



ALTERAÇÕES ESTATUTÁRIAS

Faz-se necessário reduzir o tamanho da Diretoria Executiva, acabando com o número excessivo de diretores inoperantes. Devolver o poder de controle e gestão do sindicato ao Conselho Sindical de Base. Responsabilizar diretores por desvios éticos e de conduta.
O Vamos à Luta propõe à categoria a oportunidade de retomar o controle de administrar a entidade, por considerar que apesar de termos um dos estatutos mais democráticos dos existentes, faltam instrumentos de controle do mandato à disposição da categoria. O número excessivo de diretores existentes nunca correspondeu à realidade do número de diretores atuantes. Falta a atuação do Conselho Sindical de Base para efetuar uma direção conjunta e representativa. Por isso, nos termos do Artigo 11 (onze), Inciso IV do Estatuto do SINTUFRJ

Modificação no Artigo 13, alterando a realização do Congresso para cada 2 anos.
- Modificação no Artigo 28, reduzindo o tamanho da diretoria.
Modificação no Artigo 52, Parágrafo 1º Inciso III, alterando a data limite de filiação para votar nas eleições do sindicato, de 30 para 90 dias, de modo que as novas filiações não sejam artifícios para alteração do resultado das eleições.
- Modificação dos Artigos 53 e 54, que tratam da proporcionalidade na eleição da diretoria do sindicato, transformando-a em eleição majoritária.



I - CONJUNTURA:

O avanço do Neoliberalismo no Brasil
Os trabalhadores brasileiros vivem um dos períodos mais dramáticos da história de suas lutas. A partir das duas últimas décadas, os governos escancararam as fronteiras do país ao capital, o que aprofundou a caráter colonial diante do imperialismo e, hoje, sua economia cresce abaixo da média mundial. Com a estagnação econômica, verificaram-se o avanço da onda neoliberal, resultando na privatização de importantes patrimônios, como a siderurgia, telecomunicações e outros; ampliação sem precedentes da educação privada e de planos de saúde e a primeira fase da reforma da previdência, com significativa retirada de direitos e desvalorização dos benefícios dos aposentados. O Brasil passa a assimilar subalternamente o processo mundial de reestruturação produtiva, com o fechamento de milhares de postos de trabalho, crescimento do desemprego, da intensificação da exploração, da precarização das condições de trabalho, da informalidade e falta de perspectiva para a juventude.
O modelo de desenvolvimento levou o país à condição de a quarta maior concentração de renda do planeta (só perdendo para países como Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia). Em 2003, 1% das famílias mais ricas consumia 15% da renda, enquanto mais de 85 milhões de pessoas, que compõem a metade mais pobre da população, consumiam apenas 12%.
A eleição de Lula da Silva, em 2002, ergueu esperanças de que o país poderia encontrar novos rumos e que a classe trabalhadora, ao menos, conseguisse mais direitos, emprego, moradia e terra.
Lula, no entanto, não quebrou a máquina da concentração de renda. Ao contrário, lubrificou-a ao elevar o superávit primário ao patamar de 4,25% do PIB (cerca de R$ 70 bilhões anuais). Quando realiza elevados superávits primários para pagar juros da “dívida” pública, o Estado está transferindo aos titulares da “dívida” pública, que são a minúscula fração dos ricos que concentra mais de 50% da renda e da riqueza nacionais, recursos que deveriam ser destinados às áreas sociais: educação, saúde, previdência, assistência social, habitação, reforma agrária, etc. A opção pelo agronegócio voltado à produção de commodities se mantém, incentivada por recursos públicos, reforçando o latifúndio em detrimento da pequena propriedade de agricultura familiar e da preservação do meio ambiente. Mesmo programas pretensamente destinados ao aliviamento da pobreza, como o bolsa família, são ainda mais limitados pela imutável política econômica.
A última visita do famigerado George Bush ao nosso país evidencia um acordo de Lula com o Imperialismo que aprofunda a subordinação do nosso país aos interesses do capital internacional, seja nas políticas econômicas (mais agronegócio), seja em outras esferas, como demonstra o papel vergonhoso do Brasil na chefia das tropas de ocupação do Haiti.
Governo e empresários argumentam que o alegado déficit da Previdência Social impossibilita o país de investir para o crescimento da economia e geração de empregos e prometem uma terceira etapa dessa reforma, propondo ampliar a idade mínima; desvinculação do piso previdenciário do salário mínimo; diminuição do valor dos benefícios e o término do pagamento dos benefícios aos idosos criados pela Constituição de 1988.
Querem, ainda, a flexibilização das leis trabalhistas e da organização sindical. Pregam mudanças na CLT e na Constituição Federal, sempre para retirar direitos dos trabalhadores. Propõem o fim da multa de 40% sobre o saldo do FGTS, na demissão sem justa causa; perda de direitos como o 13º salário, licença maternidade, fé-rias, entre outros.
Experiências de flexibilização aplicadas em outros países demonstram o contrário. Na Espanha, a flexibilização foi aplicada nas décadas de 80 e 90 e o desemprego saltou de 10% para 22%. Na Argentina o desemprego passou de 6%, para 20% após as mudanças nas leis trabalhistas iniciadas em 1991. No Chile, que teve sua reforma trabalhista implantada em 1978 e 1979, o desemprego chegou a 20%. Na Colômbia, em 1985 o desemprego, que rondava entre 5% e 6%, após as reformas impostas por pressão dos EUA, chegou a 20%.
Além do desemprego, o que estas reformas aumentam é o lucro das empresas e com as reformas da Previdência Social, Universitária, Sindical e Trabalhista pretende-se aumentar ainda mais os privilégios dos Bancos e grandes empresas, sacrificando e empobrecendo ainda mais os trabalhadores.



Retomada de lutas e endurecimento dos governos e da burguesia

a) O governo Lula iniciou o 2º mandato ainda mais conservador: ampliação da composição do governo na direção da coalizão nacional, apresentação do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) que só faz crescer o lucro dos investidores, retomada da agenda de Reformas Neoliberais, ofensiva sobre o direito de greve no setor público, manutenção de uma agenda privatizante envolvendo educação, saúde e até meio ambiente; além de um estreitamento impressionante com a agenda dos governos tucanos na questão das reformas e ataques a direitos, que marcou um aprofundamento da unidade entre a agenda do Capital e os governos Lula e do bloco de oposição de direita (PSDB-DEM-PPS).
No marco da composição de coalizão do governo Lula vale registrar o direito a ministérios, ampliando a base de sustentação do governo no Congresso para uma maioria (em tese, descontando as crises políticas eventuais) superior aos 3/5 exigidos para alterações na Constituição.
b) Aprofundamento de um processo de reorganização na classe trabalhadora, movimento estudantil e movimentos sociais, que teve como ponto alto o Encontro Unitário do dia 25 de março, a subida de tom do MST na relação com o governo e a posterior jornada unitária de lutas em 23 de maio, tivemos também a greve dos controladores de vôo; a paralisação contra a emenda 3 envolvendo trabalhadores do setor privado; as ocupações urbanas dos sem-teto; greves no setor público em diversos níveis e em diversos estados, sendo em nível Federal localizada na base da FASUBRA e CONDSEF; greve setores públicos estatais como metroviários SP; as greves e ocupações universitárias, especialmente no estado de SP contra os decretos do governo Serra entre outras lutas setoriais.

II. A estes fatores gerais, dois temas que recorrentes no cenário político ganharam maior evidência no final do semestre e início do 2º:
a) A nova crise política em torno do Senado Federal por conta das denúncias contra Renan Calheiros e as conseqüentes dificuldades do governo em manter a pauta de votações em dia de interesse dos seus projetos;
b) A verdadeira crise política aberta com o trágico acidente da TAM, que desnudou um patamar de incompetência ímpar do governo federal em retardar medidas em uma crise que se arrastava há quase um ano.

III. As classes sociais e a relação com o governo.
A corrupção, a crise aérea e o agravamento também da crise de segurança pública nas principais metrópoles do país, consolidaram uma tendência que já se verificava nas eleições de 2006, no crescimento da candidatura de Alckmin: o deslocamento das classes médias e da pequena burguesia em relação ao governo Lula.
Não há o mesmo patamar de deslocamentos na classe trabalhadora, especialmente nas suas camadas mais pobres, devido ao peso das políticas so-ciais do governo federal, embora exista uma tendência clara de tensões e possíveis rupturas com o governo nos setores mais combativos.

Novos fatos e inflexões no início do semestre

IV. Deslocamento das classes médias canalizado pela burguesia e a oposição de direita.
Em primeiro lugar, o deslocamento das classes médias está sendo canalizado para a oposição de direita e dentro dela, para alguns dos setores mais reacionários. O surgimento do movimento CANSEI, constitui-se em um fato novo que merece reflexão, pois pela primeira vez sob o governo Lula, setores da direita e da burguesia formam um movimento com certa proposição de ações de rua, como os dois atos recentes realizados em SP devido a crise aérea. Este movimento que conta adesão de grupos expressivos da burguesia paulista (Fiesp) e multinacional (Philips) começa a esboçar uma plataforma bastante reacionária, por trás de tentar capitalizar a justa indignação de milhares de pessoas com o colapso aéreo: privatização do tráfego aéreo, redução da maioridade penal, entre outras bandeiras que começaram a surgir nessas manifestações.

V. Em segundo lugar (e para nós até mais importante) há um endurecimento dos governos e do capital contra a organização dos trabalhadores, seu direito de greve. Este é dos temas onde tem ocorrido maior unidade entre o capital, o governo Lula e os governos tucanos. A lei antigreve do governo Lula no setor público, a brutalidade sobre os controladores de vôo e a brutalidade do governo Serra contra os metroviários assim o demonstram.

VII. A preservação dos aparatos como um fim em si mesmo. Por que tão poucos setores do movimento sindical e popular querem a fundo uma unidade estratégica (sem grandes manobras e demarcações sem sentido) em um momento onde a unidade é um imperativo se quisermos realmente superar a atual relação de forças?
Em outras palavras, a década de profundo refluxo e reestruturação produtiva não passou impune mesmo para os sindicatos e setores mais combativos e os traços de burocratização e de auto-preservação do seus aparatos materiais é o que ainda está dando o tom. A retomada de lutas ocorrida até aqui foi muito frágil para chacoalhar essas estruturas, não ocorreu um ascenso que imponha um profundo debate de concepção sindical.

VIII. As contradições e luta pela unidade: tarefa central. Estas dificuldades não podem nos fazer perder de vista que as contradições na conjuntura sejam na relação de classes, na relação da classe trabalhadora com o governo e entre setores de classes e correntes políticas tendem a aumentar e que nossa tarefa central continua sendo a luta sempre pela unidade.

IX. Sobre a questão da dívida. Uma reflexão para o debate.
O tema da dívida, tanto externa como interna, vem paulatinamente perdendo centralidade na política dos movimentos sociais combativos e mesmo dos partidos da esquerda socialista. Louve-se a iniciativa do tema ter sido recolocado no plebiscito das 4 perguntas.
Mas o fato é que há setores do movimento que têm argumentado que, por exemplo, no caso da “dívida” externa, como esta se encontra “equacionada”, ou seja, o Brasil tem US$ 150 bilhões de reservas e a “dívida” externa do setor público totaliza 86 bilhões, a questão estaria resolvida. Perdeu importância. Não devemos aceitar essa lógica, que de conteúdo é, “temos como pagar, pagamos”, não precisamos mais de empréstimos e tudo bem!
Devemos retomar a defesa do não pagamento da “dívida” externa, interessa que essa “dívida” já foi paga a exaustão e US$ 86 bilhões de dólares está longe de ser troco, se imaginarmos o fato político e a dimensão que teria a utilização desses recursos no país.
Do ponto de vista da “dívida” pública, que de fato ganha uma dimensão maior, pois grande parte da remuneração ao grande capital financeiro foi transferida da “dívida” externa para os títulos da “dívida” pública, a formulação de suspensão do pagamento dos juros e auditoria do conjunto da “dívida” é bastante atual.

X. A Política do SINTUFRJ deve ter como centro a agenda dos movimentos sociais e da classe trabalhadora com especial ênfase na luta contra a criminalização dos movimentos sociais, pelo direito de greve, contra as reformas, contra a retirada de direitos, defesa da reforma agrária; contra privatização da saúde e da educação pública e das reservas florestais; pelo fim do pagamento dos juros da dívida pública e não pagamento da dívida externa; Contra o Projeto de Fundação Estatal de Direito Privado;

2 - OS APOSENTADOS NA ATUAL CONJUNTURA POLÍTICA:

Os aposentados vivem momentos de instabilidade de seus direitos, pois depois do fatídico julgamento do STF sobre a contribuição dos apo-sentados que praticamente sepultou na era Lula o “direito adquirido” julgando procedente o mesmo, usando argumentos econômicos, depois da avalanche que foi a aprovação da EC-41, que foi a emenda constitucional da reforma da previdência, os aposentados do serviço público nunca mais tiveram a segurança sobre a manutenção dos seus direitos, com a promulgação da lei da carreira, os aposentados vivenciaram mais um momento de incerteza quando constataram os problemas causados pelo enquadramento equivocado por tempo de serviço público federal, o que na maioria dos casos fez com que os aposentados tivessem perdas na
aplicação desse critério, e originou um grande descontentamento. Um outro grave problema é a permanente tentativa de desvinculação dos mesmos a folha das universidades, não abrimos mão da igualdade entre ativos e aposentados.
3- REUNI:
O decreto fixa metas de desempenho a serem alcançadas, em moldes do contrato de gestão de Bresser Pereira: os recursos financeiros serão reservados a cada IFES na medida da elaboração e apresentação dos respectivos planos de reestruturação (Art. 3o):
a) 90% de formados em relação aos ingressantes (Art. 1o, §1o), um índice que não tem paralelo nas comparações internacionais e que somente seria possível com a implementação também na educação superior da aprovação automática e uma agressiva política de assistência estudantil.
b) a meta de relação professor/ estudante que deverá passar dos atuais 12 estudantes por docente para 18 alunos por docente em um prazo de cinco anos.
O programa prevê, em linhas gerais, a quase duplicação do número de estudantes de graduação sem garantir a assistência estudantil e a garantia de recursos estatais para a manutenção e desenvolvimento da ampliação das IFES. Os recursos somente serão liberados depois de atingir. as referidas metas.,
Detalhe: O atendimento do Plano de cada IFES é condicionado à capacidade orçamentária e operacional do MEC (Art.3o, §3o), o que pode confirmar um montante inferior a 20%, assim, as universidades podem contratar docentes e investir em infra-estrutura e o MEC não fica obrigado a se responsabilizar com a garantia dos recursos acordados. Considerando o PAC e o virtual congelamento das despesas correntes da União, essa possibilidade não é pequena. Outro detalhe: a decisão sobre a pertinência ou não do contrato de gestão elaborado pela IFES compete exclusivamente ao MEC. Este projeto é uma ajuste governamental. A política de aceleração e de criação de um mercado educacional mais robusto é a mesma, mas a forma contém novidades.
O Brasil de hoje, precisa abordar os temas fundamentais: função social, acesso e permanência, financiamento, autonomia e democracia. Se a universidade se referenciar nesse projeto do governo, como os críticos, ela irá se desconstituir como instituição universitária, convertendo as IFES em Centros Universitários Federais. Uma derrota fundamental para a nação brasileira.
Precisamos impedir isso com a mobilização desde a base. É imperioso que os departamentos, faculdades e institutos abram esse debate!
4- HOSPITAIS UNIVERSITÁRIOS, DE ENSINO E CENTROS DE SAÚDE ESCOLA: um projeto em construção (Carta de Brasília)
A FASUBRA-SINDICAL tem ao longo dos anos discutindo exaustivamente a crise dos HU’s, deste debate concluiu-se que a solução para a crise dos HU’s não passa pela sua transformação em Fundação Estatal de Direito Privado ou mudança de regime jurídico, mas sim pela compreensão dos governantes de que o Hospital, mesmo sendo um espaço acadêmico atende, em função da Academia, tanto as demandas do SUS/MS quanto desenvolve ciência e tecnologia.
Com esta visão a FASUBRA-SINDICAL está construindo um projeto para ser discutido

Controle Social:

Entendemos como Controle Social todo processo de acompanhamento, avaliação e fiscalização exercidas nas instâncias representativas da sociedade.
A Lei 8142/90 trouxe um grande avanço nesse sentido, quando determinou que, nos Conselhos de Saúde, seja respeitado o princípio da paridade tem que haver uma participação de 50% de usuários da saúde. Portanto, a implantação de Conselhos Gestores nestas Unidades Acadêmicas é de extrema importância para o cumprimento de sua missão e de seu papel no ensino, pesquisa e extensão, que se dá através da assistência, inserido ao SUS.

Financiamento

O financiamento dos Hospitais Universitários, Hospitais de Ensino e Centros de Saúde Escola deve ser Interministerial com destinação de orçamento específico para serem utilizados conforme sua demanda, ou seja:
É de responsabilidade do MEC o orçamento e a garantia dos recursos destinados ao ensino, à pesquisa e à extensão, alocados para estas Unidades Acadêmicas e, de forma complementar, os recursos advindos do MS e MCT, que deverão integrar o PDI e o orçamento geral das Instituições de Ensino.

A ampliação dos recursos destinados a estas Unidades Acadêmicas deve se dar com garantia da não aplicação da DRU nos recursos destinados à área so-cial, mais especificamente, nas áreas de educação e saúde;
Os investimentos na saúde da população devem ser excluídos da Lei de Responsabilidade Fiscal; Continuar lutando pela regulamentação da Emenda 29.
As despesas com custeio, investimento e pessoal dessas Unidades Acadêmicas devem compor o orçamento das Instituições de Ensino Superior, vinculadas aos recursos de manutenção e desenvolvimento do ensino – artigo 212 da Constituição Federal.
Gestão - Fundamentada no Projeto Universidade Cidadã para os Trabalhadores e considerando a missão e o papel dos HU´s, já caracterizados, defendemos um modelo de gestão que garanta os princípios da gestão pública com a prestação de serviços universais, gratuitos e com qualidade, tendo como balizador o controle social.
Relacionamos condições que entendemos determinantes para a viabilidade deste modelo de gestão:
Seja vinculada as IFE’s fortalecendo o papel do Estado na prestação de serviços de educação e saúde;
Todo o processo educativo e formativo deve ser público, gratuito e de qualidade;
Seja 100% SUS, com financiamento exclusivamente público.
A ocupação dos cargos diretivos ocorra segundo critérios técnicos, no mínimo, paritária, ressalvadas as funções de conteúdo essencialmente acadêmico;
Institua processos de gestão participativa nas Instituições e serviços públicos de educação e saúde;
Garanta a valorização do trabalho em educação e saúde por meio da democratização das relações de trabalho de acordo com as diretrizes da Mesa Nacional de Negociação do SUS;
Garanta a reposição contínua de pessoal nos Hospitais Universitários, através de concursos públicos, com autonomia para contratação imediata;
Assegure infra-estrutura e condições de trabalho nos Hospitais Universitários;
Garanta um serviço de Atenção a Saúde do Trabalhador;
Implementação da NR32 nos Hospitais Universitários;
Implementação, em consonância com a Lei 8080/90 e com a Portaria 2437/05, de Ambulatório e Serviço de Saúde do Trabalhador nos Hospitais Universitários.

6- ASSÉDIO MORAL:

As mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho e na forma de organização da produção, organizada nas empresas, por patrões a serviço do grande capital são os principais causadores das violências sofridas por trabalhadores. Certamente, este exército de trabalhadores possibilita a este sistema: a imposição, a exploração, escravidão e os maus-tratos como via de troca para sua manutenção no emprego se é este termo que podemos considerar, para estas pessoas que são obrigadas a aceitar tanta humilhação para não serem demitidas e fazer parte daqueles milhões de pessoas que vivem com fome.
Propostas como flexibilização ou desregulamentação de acordos trabalhistas, multifunção, gestão moderna de mudança do perfil do trabalhador são palavras nesse novo contexto e que colocam o trabalhador, muitas vezes, em dúvida quanto a sua própria capacidade para enfrentar este novo desafio.

O que os sindicatos devem fazer:

1)Mobilizar os trabalhadores no combate ao assédio moral;
2)Promover cursos de administração de conflitos e de autodefesa verbal;
3)Promover palestras sobre ética;
4)Intensificar a mobilização no Congresso, para introduzir na Lei 8.112/90, CLT e no Código Penal, artigo que criminalize o assédio moral

7- PENSANDO A QUESTÃO ÉTNICA RACIAL NO BRASIL:

Os números relativos à população negra e educação são desalentadores, e não bastasse o fosso a separar brancos e negros na trajetória educacional, (mesmo quando provêm da mesma classe social) o mais curioso é que as desigualdades não têm diminuído com o passar do tempo. Segundo pesquisa divulgada pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), em 2002, a média de estudo dos adultos brancos é de 6,6 anos, a dos negros é de apenas 4,4 anos. Essa diferença de dois anos é praticamente a mesma que o bisavô de um jovem negro enfrentaria no início do século passado. A pesquisa diz ainda, que esse quadro não deverá ser revertido no curto prazo, o prognóstico, é que em 13 anos os brancos devam alcançar uma média de oito anos de estudos, já a projeção para os negros é de que eles cheguem ao mesmo resultado daqui a 32 anos. Analisando os dados, Ricardo Henriques, que é coordenador nacional da pesquisa do IPEA, conclui que o Brasil melhorou o seu desempenho em uma série de indicadores sociais na década de 90, mas não foi capaz de fazer com que a desigualdade entre negros e brancos diminuísse. E a sociedade brasileira representa bem este quadro, porque adotaram a crença no mito da democracia racial, acreditando que vivemos em uma sociedade racialmente harmônica e que a cor da pele não faz diferença. Faz. Basta analisar os dados do analfabetismo, da distribuição de renda, da empregabilidade, da morte por motivos violentos. Eles têm cor. E a cor é preta.
A FASUBRA foi à primeira entidade nacional de representação dos trabalhadores, que introduziu nas suas fileiras a discussão étnica racial pela eliminação do racismo.
Os caminhos tomados pelos militantes têm se dividido, entre os que acreditam nas vias institucionais achando que desta forma resolverão o racismo e aqueles que acreditam nas mobilizações das massas. Nós acreditamos nas mobilizações das massas.
Em cada passo acreditamos que não será nenhum governo que nos concederá o nosso lugar de plena cidadania neste país e sim a luta do povo negro, dos oprimidos e daqueles que acreditam em uma sociedade justa, igualitária e sem racismo e só assim conquistaremos a vitória, a tão sonhada liberdade.
Lamentavelmente não conseguimos realizar uma discussão qualificada sobre o que significa o Programa de ações afirmativas, importante bandeira de luta do movimento negro brasileiro que desmistifica o discurso de muitos sobre o “privilégio” que seria criado para os afrodescendentes.
A sociedade brasileira sempre teve cotas para os não negros, que sempre ocuparam espaços e sempre tiveram seus lugares garantidos e quando queremos nos propor a discutir uma política de inclusão, somos chamados racistas às avessas.
O Conselho Universitário precisa se adequar à realidade que se apresenta e se mostrar um aliado na quebra do conservadorismo e elitismo que existe na UFRJ, que colabora para aprofundar cada vez mais o fosso de mais de 500 anos existentes entre negros e não negros.
Com esta breve exposição defendemos:
1)A luta pelo socialismo; 2) A igualdade racial para todos; 3) O direito ao aborto; 4) O direito à livre opção sexual; 5) O Dia 20 de Novembro como feriado nacional, em reconhecimento ao herói Zumbi dos Palmares; e 6) A implementação da Lei 10.639/ que prevê a inclusão da História da África nas escolas públicas brasileiras.



Resumo de tese

No intuito de ampliar o debate sobre os temas que farão parte do temário do 9º Congresso do SINTUFRJ, os abaixo assinados, integrantes do Vamos à Luta (VàL), cujas idéias não governistas os levaram a vencer a última eleição proporcional do Sindicato pela Chapa 2, explicitam, resumidamente para a categoria suas avaliações e propostas a serem discutidas e deliberadas: Não se pode deixar ao esquecimento que Lula, alçado ao poder após ampla atuação nos movimentos populares, virou a casaca, desfigurou-se, já no primeiro ano do primeiro mandato. Em maio de 2003, Lula deu rasteira na esperança, mas ainda conseguindo enganar muitos por muito tempo. Quase na surdina (já sob o manto do mensalão, herdado da campanha do PSDB de Minas Gerais), aprovou a reforma do sistema financeiro, por exigência dos donos de bancos e financeiras, revogando o parágrafo 3º do Artigo 192 da Constituição. A vontade dos banqueiros era acabar com a limitação na cobrança de juros em apenas 12% anuais e indicar o presidente do Banco Central, Henrique Meireles.

Escolheu ficar do lado dos donos do mundo e virou as costas aos trabalhadores. Deu força de lei às Resoluções do Banco Central, que protege bancos, e não os correntistas.  Consultando os próprios dados oficiais do IPEA, qualquer cidadão fica sabendo que só no primeiro mandato Lula “queimou” R$ 588 bilhões para pagar juros. Só para comparar: no mesmo período, ele entendeu que a Educação só merecia R$ 62 bilhões e a Saúde R$ 136 bilhões. Assim estavam definidas suas prioridades. Dessa vontade de pagar juros, cerca de 80% dos recursos vão para o bolso de apenas 20 mil famílias ricas, a elite da elite. A essa gente o governo atende completamente, pagando tudo o que deve. Aos pobres, cestas básicas para acalmar os ânimos. Nas dívidas com os servidores, sempre recursos judiciais.
O segundo tempo do saco de maldades veio em dezembro de 2003, com a aprovação da reforma da Previdência e teve endereço certo: o funcionalismo público. Desrespeitou os direitos adquiridos dos trabalhadores já aposentados e pensionistas, impondo-lhes contribuição para a Previdência, quando a legislação anterior os protegia, isentando-os de contribuição.

Às vésperas da eleição presidencial de 2006, o Congresso Nacional deliberou que ia cassar dezenas de concessões de estações de rádio AM, FM, e estações de TV (quase todas pertencentes a políticos ou seus apadrinhados), por estarem funcionando irregularmente ou por não cumprir direitos trabalhistas. Tinha um prazo. Lula chamou para si os processos, interrompendo a contagem dos prazos. Com isso protegeu irresponsáveis sonegadores e ampliou seu leque de aparecimento na mídia, para vender suas idéias de nova reforma da Previdência, trabalhista e política.
O fato é que o governo Lula é o que mais tem prestado desserviço à esquerda e ao socialismo no país. O pior é que vai levar tempo para reconstruir o estrago.
Para enfrentar essa adversidade, é necessário um Plano de Lutas capaz de combater as reformas neoliberais do governo Lula. Mas só vamos conseguir colocar essas lutas com vontade na rua se nos livrarmos dos que foram nossos aliados e hoje estão com o governo, como é o caso da CUT.
É preciso construir uma Campanha contra a PEC 12 (que altera o artigo 100 da Constituição, transformando o pagamento dos precatórios de dinheiro para títulos da dívida pública, através de leilões. Regulamentação da Emenda 29, que destina recursos carimbados para a saúde, sem contingenciamento por parte do governo. Contra o Projeto de Lei 01/2007, que dá nova regulamentação à Lei de Responsabilidade Fiscal, restringindo ainda mais os recursos para a folha de pagamentos do funcionalismo. Defesa da manutenção dos hospitais universitários no âmbito das Universidades e no SUS, combatendo o Projeto de Lei 92/2007.

Da Organização Sindical - Queremos rever a relação com a CUT. Não se trata de negar a história de lutas da Central, mas de afirmar que seu presente não condiz mais com seu passado. A CUT e o PT viraram governo junto com Lula. Nossa contribuição mensal de R$ 43 mil tem se prestado a defender propostas do governo, que em muitos casos são contrárias aos interesses da categoria. Não podemos continuar sustentando essa correia de transmissão do governo com o nosso dinheiro. Propomos a desfiliação da CUT, sem filiação imediata a outra central, com  realização de debates no Fundão e na Praia Vermelha para tomada de decisão e utilização dos recursos para iniciar a construção da sede social. 
No âmbito local, propomos intensificar a luta pela implantação do plano de saúde suplementar, do programa de saúde do trabalhador, brigar pela ampliação de vagas para concurso de técnicos e administrativos, além dos cursos de capacitação e qualificação.
Estamos construindo os outros pontos e em breve estaremos divulgando nossas opiniões sobre a situação da UFRJ, as questões da nossa carreira e os demais pontos de pauta do nosso congresso.

Assinam esta tese:
Marcílio Araújo/Agnaldo Fernandes/Leonardo Morgan/Noemi de Andrade/Paulo Ubirajara/Patrícia Cerqueira/Nelci/Gerusa.

Uma das propostas que estaremos discutindo, no tocante à alteração estatutária, é o fim da eleição proporcional para a composição da Diretoria do sindicato. O atual formato, apesar de entendermos como democrático, tem confundido a categoria, não entendendo que são três cartas-programa diferentes. Tem engessado a gestão e confundido toda a diretoria como de apoio ao governo Lula. A melhor forma de gestão de um sindicato é aquela que funciona, e em defesa dos direitos e garantias da categoria, fazendo do sindicato uma ferramenta de apoio à transformação social.

Seguir o exemplo da maioria dos sindicatos de servidores públicos, desfiliando-se da CUT, por entender que ela não mais defende os interesses do funcionalismo público


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